terça-feira, setembro 27, 2016

Outro(s): Que não aprende(m)…

… Apesar de, ironicamente, ser(em) professor(es): não satisfeito, aparentemente, pela «lição» que lhe dei em Junho, um suposto docente – que, indecentemente, advoga (a brincar? A sério?) a destruição de livros – voltou a demonstrar as suas insuficiências… didácticas e pedagógicas, e fê-lo com erros e mentiras – é ver e ler, mesmo no final, «a pior leitura do ano». «Compassivo», concedi-lhe mais um, e breve, esclarecimento. Será suficiente desta vez? A ver vamos…  

quarta-feira, setembro 21, 2016

Orientação: Sobre o Islão, no Público

Na edição de hoje (Nº 9654) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «O problema está, é, (n)o Islão». Um excerto: «O cenário já se tornou rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e em todo o Mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a “extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico… que justifica a “islamofobia”.»

sexta-feira, setembro 16, 2016

Organização: Agora também na Amazon (es)

Em resultado de um acordo de representação internacional que assinou com a distribuidora Arnoia e que anunciou a 10 de Agosto, a Fronteira do Caos tem agora todo o seu catálogo disponível na Amazon espanhola. O que significa, obviamente, que também «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» e «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» passaram a estar acessíveis para venda através da filial no país vizinho da empresa criada por Jeff Bezos. 

quarta-feira, setembro 07, 2016

Oráculo: Evocar FMdM, na BNP

De hoje a exactamente um mês, a 7 de Outubro próximo, decorrerá, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo». É mais uma organização do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, do Movimento Internacional Lusófono e da revista Nova Águia, segundo e seguindo uma sugestão e uma iniciativa minhas, na sequência dos eventos similares (assentes em efemérides significativas) dedicados a Luís António Verney em 2013 (aquando dos 300 anos do nascimento) e a Afonso de Albuquerque em 2015 (aquando dos 500 anos da morte).
O homenageado em 2016 é um dos maiores nomes do Barroco português e peninsular. Nascido em 1608 tal como António Vieira, Francisco Manuel de Melo foi aventureiro, escritor, militar e político, e, à semelhança do padre jesuíta, desempenhou missões diplomáticas a favor do restaurado Reino de Portugal. Entre as suas obras destacam-se «Apólogos Dialogais», «Carta de Guia de Casados» e «O Fidalgo Aprendiz». Em 2008, aquando dos 400 anos do nascimento de ambos, o autor de «Sermões» recebeu um muito maior (na verdade, avassalador), e previsível, destaque do que o autor de «Epanáforas», facto que este evento procura agora, de certa forma – e insuficientemente – compensar.
A lista de oradores do colóquio inclui os nomes de Ana Paula Banza, António Braz Teixeira, Deana Barroqueiro, Duarte Ivo Cruz, Jesué Pinharanda Gomes, José Carlos Seabra Pereira, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício e Teresa Amado.   

quarta-feira, agosto 31, 2016

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2016

A literatura: «Histórias da Terra e do Mar», Sophia de Mello Breyner Andresen; «Uma Voz na Revolução», Francisco de Sousa Tavares; «Os Simulacros», Philip K. Dick; «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», António de Macedo; «Estratégia dos Deuses», Erich Von Daniken; «Editor Contra - Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite», Pedro Piedade Marques; «O Nascimento da Tragédia», Friedrich Nietzsche; «A Encomendação das Almas», João Aguiar; «Procurado», J. G. Jones, Mark Millar e Paul Mounts.
A música: «Concerto Em Lisboa», Mariza; «The Real... 1941-1956 The Ultimate Collection», Frank Sinatra; «From Elvis In Memphis» e «Elvis Country (I'm 10000 Years Old)», Elvis Presley; «Art Official Age», Prince; «Off The Wall», Michael Jackson; «Outlandos D'Amour» e «Zenyatta Mondatta», Police; «25», Adele; «A Portrait Of...», Duke Ellington; «Lumpy Gravy» e «We're Only In It For The Money», Frank Zappa; «A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse», Faces; «Os Sobreviventes», «Era Uma Vez Um Rapaz» e «Rivolitz - O Melhor de... Ao Vivo 2», Sérgio Godinho; «Also Sprach Zarathustra» (pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Gustavo Dudamel), Richard Strauss.
O cinema: «Cinderella», Kenneth Branagh; «Hotel Transilvânia 2», Genndy Tartakovsky; «Guia de Finais Felizes», David O. Russell; «O Marciano», Ridley Scott; «Célere», Ron Howard; «Capitão Falcão», João Leitão; «Procurando o Homem do Açúcar», Malik Bendjelloul; «Castelo no Céu», Hayao Miyazaki; «O Artista», Michel Hazanavicius; «Agora Vês-me», Louis Leterrier; «Da Rússia com Amor», Terence Young; «A Vida Secreta de Walter Mitty», Ben Stiller; «Esse é o Meu Rapaz», Sean Anders; «Zootopia», Byron Howard e Rich Moore; «Hércules», Brett Ratner; «Chefe», Jon Favreau; «Sob a Pele», Jonathan Glazer; «Missão: Impossível - Protocolo Fantasma», Brad Bird; «Missão: Impossível - Nação Revolta», Christopher McQuarrie; «E Assim Vai Indo», Rob Reiner; «Panda do Kung-Fu 3», Alessandro Carloni e Jennifer Yuh Nelson; «Ronaldo», Anthony Wonke; «Deadpool», Tim Miller; «Morto e Meio», Don Michael Paul; «Surripia», Guy Ritchie; «Astérix e Obélix ao Serviço de Sua Majestade», Laurent Tirard; «Bronco Billy», Clint Eastwood. 
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - «CartoonXira 2016 - Cartoons do ano 2015 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gargalo, Gonçalves, Maia, Monteiro, Rodrigo)/ 25 anos de desenhos 1990-2015 (Cécile Bertrand)» (Celeiro da Patriarcal) + 5º Salão de Automóveis e Motociclos Clássicos de Vila Franca de Xira (Pavilhão Multiusos); «We're sorry, Harry Kane» (anúncio publicitário do Licor Beirão); Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 86ª Feira do Livro de Lisboa; FNAC - exposição de fotografias de Jacques Van Wijlick «EVOA - Descubra o lado selvagem do Estuário do Tejo» (Vasco da Gama) + exposição de fotografias de Tiago Mota Garcia «Espelho Nosso» (Chiado); Museu do Neo-Realismo - exposição «Passageiro Clandestino Mário Dionísio 100 Anos» + exposição «Os Ciclos do Arroz»; Iron Maiden - «The Book of Souls World Tour 2016» - Meo Arena, 2016/7/11 (primeira parte, The Raven Age); Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «A saltar do livro - Livros pop-up» + exposição «"Livro do Desassossego - Desenhos de Sílvia Hestnes Ferreira» + exposição «Nascimento - De mar a mar, uma odisseia editorial» + exposição «Mário de Sá Carneiro, "o homem são louco"» + mostra «Horticultura para todos» + mostra «Ferreira de Castro - 100 anos de vida literária» + mostra «Timor-Portugal - Ontem e hoje»; «Daddy», (vídeo musical de) Psy; «O Círculo de Bletchley», Guy Burt; Museu da Lourinhã; «Nós somos os super-humanos» (anúncio da participação do Reino Unido nos Jogos Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro).  

domingo, agosto 21, 2016

Outros: Elogios a «Poemas»

Agosto já constitui para mim, e há pelo menos sete anos, também o «mês de Alfred Tennyson». Nascido a 6 (de 1809) e chegado a 25 (de 1859) para uma visita a Portugal, é em pleno Verão que eu procuro e, quando elas existem, divulgo, novidades interessantes relativas àquele escritor e/ou ao livro com traduções minhas de poemas seus editado em 2009. Desta vez reproduzo (devidamente corrigidos) comentários que encontrei recentemente na página do sítio Wook dedicada àquela obra.
Um, feito em Março de 2014, é de Tiago Silva: «Trata-se de um exemplo de uma boa sele(c)ção de poemas de um grande poeta da Inglaterra Vi(c)toriana. Dois, feitos em 2016 (um em Julho, outro em Agosto), são de Valdenir Pessôa: «Sem (sombra) de dúvida um dos melhores poetas românticos da era vi(c)toriana, Alfred Tennyson sobressai em relação aos outros autores, principalmente com (a) sua obra “Idílios do Rei”, o poema que faz justiça ao mítico rei Arthur. Essa cole(c)tânea de poemas é a única (que eu saiba) publicada em língua portuguesa e a sele(c)ção (é) extraordinariamente bem elabora(da). Parabéns!»; «Já havia comentado antes da leitura pelo fa(c)to de ser(em) poemas de Tennyson. Mas ao ler os poemas, deparei-me com o que há de melhor na poesia romântica inglesa no período. Poemas cheios de magia, subje(c)tivismo e, como não, romantismo que afe(c)ta o sentimento de quem os lê. Excelente!»
É de referir que na página mencionada não constava uma imagem da capa do livro; porém, e após ter enviado uma mensagem de correio electrónico com uma em anexo, essa lacuna foi entretanto colmatada. 

sábado, agosto 13, 2016

Orientação: Sobre «moedas de prata», no Público

Na edição de hoje (Nº 9615) do jornal Público, e na página 53, está o meu artigo «Casa da(s) Moeda(s) de prata». Um excerto: «É, pois, uma tremenda ofensa póstuma ao homem que foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, embora seja expectável, e até “compreensível”, por as entidades públicas e/ou sob tutela estatal, como é o caso da INCM, estarem “obrigadas” a utilizar esta “ortografia” pervertida criada por pervertidos. Na verdade, mesmo grave, e pior do que o regulamento, seria que a obra vencedora do Prémio Vasco Graça Moura fosse escrita e/ou publicada obedecendo ao ascoroso “acordês” que o deputado europeu (entre 1999 e 2009) abominava. Seria inimaginável!» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53. Referência no Linguagista e no Delito de Opinião.)

quarta-feira, agosto 03, 2016

Opções: Pela Praça do Império

Já assinei a petição «Preservar a Praça do Império é defender a Portugalidade», promovida pelo Nova Portugalidade, um grupo de cidadãos que tem como objectivo da sua actividade «o estudo, promoção e defesa do património material e espiritual da Portugalidade». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta e que explica a iniciativa: «(…) Os canteiros floridos da Praça do Império são, pese embora o desprezo que lhes parecem votar alguns espíritos menos avisados, um símbolo vivo, actual, da viva e actual globalização portuguesa. Representam-se ali, com os seus brasões de armas, os pedaços de Portugalidade que mais longamente se mantiveram ligados entre si; hoje, o jardim é testemunho forte de uma aventura colectiva que marcou o nosso passado e pode bem determinar o nosso futuro. (…) Não pode existir argumento financeiro, estético ou histórico que concorra para a destruição de algo tão belo e pleno de significado. Se avançar com o projecto de requalificação agora aprovado para a Praça do Império, a CML cometerá um crime contra Lisboa, o património nacional e a profunda amizade que mantemos com os povos da Portugalidade. Mais, tratar-se-ia de um crime contra a História e, portanto, contra o próprio país. (…)»
O tema, este texto e as expressões nele utilizadas como que ecoam outra petição, que subscrevi em 2013, e que também incidia sobre um elemento do património de Lisboa em risco – o cinema Odéon. Então escrevi: «Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto) apoio, tal como o de outros, não deverá ser suficiente para evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um crime contra o património nacional – não só da capital – cometido, ou permitido, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela sua equipa.» O «actual presidente» então referido é agora primeiro-ministro… e um dos elementos da sua equipa é agora edil da capital. Que, como que querendo mostrar ser um «digno» sucessor, prossegue igualmente a «política» de sacrificar a funcionalidade à estética (e os automobilistas aos ciclistas), da Avenida da Liberdade à da República. Para alguns as batalhas ideológicas estendem-se à relva dos jardins e ao alcatrão das vias. (Também no MILhafre.

terça-feira, julho 26, 2016

Orientação: Sobre o povo, no Público

Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E porque não?» (Também no MILhafre.)

domingo, julho 17, 2016

Ocorrência: 10 anos d’«Os Novos Descobrimentos»

Foi há precisamente 10 anos – a 17 de Julho de 2016 – que eu e Luís Ferreira Lopes fizemos a primeira apresentação do nosso livro «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas». A data não foi escolhida ao acaso: então assinalava-se o décimo aniversário da criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa… e hoje «comemora-se» o seu vigésimo aniversário.  
O lançamento decorreu na Livraria Almedina (esta também a editora da obra) do (centro comercial) Atrium Saldanha, em Lisboa. Contámos, na mesa, com as presenças – que muito nos honraram – de Adriano Moreira, Carlos Pinto Coelho (entretanto falecido), Manuel Ennes Ferreira e Nicolau Santos, que não só falaram do livro e dos temas que ele aborda(va) como também aproveitaram a ocasião para, com os autores, fazerem uma retrospectiva do que tinham sido os primeiros dez anos da existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – algo que então não foi reconhecido por um certo comentador que, este ano, foi eleito para um muito importante cargo político.
Porém, os defeitos e as insuficiências detectadas na actuação da CPLP na sua década inicial são, em meu entender, insignificantes perante o que aconteceu na seguinte – mais concretamente, a implementação do «Acordo Ortográfico de 1990» e a admissão da Guiné Equatorial, pais onde vigora um regime ditatorial, como membro efectivo; a esperança inicial transformou-se em desilusão posterior, pelo que pouco ou nada há, da minha parte, para celebrar. (Também no MILhafre.      

segunda-feira, julho 11, 2016

Observação: Não, não acreditava…

… E, afinal, não se pode negar que eu (à semelhança de muitos outros) tinha bastantes motivos para isso: as decepções que também sofri em 1984, em 1986, 1996, 2000, 2002, e, já com comentários, em 2004, (não em) 2006 (porque provavelmente estava a preparar a edição de um livro, que, sim, evocarei em breve a propósito do seu décimo aniversário), 2008, 2010, 2012 e 2014. Como honestamente, racionalmente, esperar que, depois de aquela que foi possivelmente a melhor selecção portuguesa de sempre ter perdido em Lisboa uma final contra a… Grécia, uma outra de (aparentemente) menor valor iria vencer a França em… Paris? E quando, ainda antes dos dez minutos de jogo, Cristiano foi – não duvido de que deliberadamente, premeditadamente – lesionado e, depois, forçado a abandonar o campo, parecia que a aziaga «tradição» se confirmaria e repetiria…
… Porém, e finalmente, este «fado do futebol» desfez-se: Portugal conseguiu, mesmo, conquistar o Campeonato da Europa de Futebol (sénior, depois de tantos títulos nas camadas juniores). Talvez por as prioridades terem passado a ser outras. Como escrevi aqui, «qual é o problema de eventualmente “ser(e)mos execrados por milhões em todo o mundo a rezarem pelo nosso justo esmagamento” por sermos, supostamente, “a mais negra e ronhosa das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos”? Os incomodados que se lixem com “F” grande! Farto estou eu de gostarem de nós enquanto (e apenas) crónicos derrotados. Farto estou eu de derrotas. Portanto, que os jogadores da selecção triunfem, mesmo que com mais empates no tempo regulamentar, mais prolongamentos e mais decisões nas grandes penalidades. Que tragam a taça.» E trouxeram mesmo.
Nestes festejos, nestas celebrações, nesta alegria avassaladora que enfim chega com tantos anos de atraso – e em 2016 assinalam-se 50 desde a campanha dos «Magriços» de Eusébio em Inglaterra – há no entanto um aspecto que me desagrada, que me desilude, que me indigna: por culpa de pervertidos, de criminosos, de tiranos, antigos e modernos, a selecção é por muitos escrita sem «c» e veste-se, tal como o país, com as cores de uma bandeira da infâmia – não a verdadeira de Portugal, nunca é de mais repetir, mas sim a de uma associação de terroristas. Todavia, pelo menos desta vez, a repulsa não se sobreporá à felicidade. (Também no MILhafre.)

terça-feira, julho 05, 2016

Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…

… Meu e de tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25 anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas também cívico, o mais jovem. Um abraço! (Também no MILhafre e no Simetria.

quinta-feira, junho 23, 2016

Observação: Uma questão de escala

No passado dia 12 registei a existência de (mais) uma recente recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes», escrita e publicada cinco dias antes por Artur Coelho no seu blog Intergalactic Robot. E prometi para breve uma resposta. Pois bem, ela aqui está…
… E começo por reproduzir e destacar dessa recensão os elogios de âmbito geral, e até específico, àquela minha obra, que são vários: «Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia que o encerra é (são) muito interessante(s). Pega num momento marcante da história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica. Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética, misto da iconografia barroca com high tech. (…) Até me encantou (…) a curiosa cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos Santos imagina os países da Europa setecentista como planetas, interligados por vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai, a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. (…) No meio de tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as passarolas nunca voaram. (…) Na vertente périplo, consegue pontos de interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo do Café (Clube) Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.»
Porém, a classificação final dada por Artur Coelho ao meu livro, revelada no GoodReads, foi, algo inesperada e contraditoriamente, de duas em cinco estrelas – aliás, foi aumentada, pois antes chegou a ser de uma! E qual foi a avaliação final, resumida, correspondente àquela reduzida («negativa») classificação? «Falha redondamente». E porquê? «Archizero» afirma que «Espíritos das Luzes» se «perde nas inconsistências». E quais são essas supostas «inconsistências»?
Uma será a própria designação que faço da minha obra enquanto «ficção científica»… embora para Artur Coelho não o seja, porque a FC é um «campo que exige todo um outro tipo de construção de mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário solto mais próximo da fantasia.» Desde quando é que é obrigatório que na ficção científica existam sempre «pressupostos rigorosos»? E em que consistem exactamente esses pressupostos? Em explicar detalhadamente como se chegou à concepção de determinados métodos e técnicas de transporte, comunicação, trabalho e entretenimento, de determinados sistemas de organização política, social e económica? Quanto mais «próxima» de nós está a FC em causa, mais esse rigor, concordo, deve existir; porém, «Espíritos...» desenrola-se numa dimensão espaço-temporal alternativa, em que naquela os países que conhecemos são planetas! Maior «falta de rigor» inicial é impossível, ou pelo menos muito difícil. No mesmo sentido vai a «queixa» de que «elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nanotecnologia dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo». De certeza de que são «sem contextualização»? Olhe que não… esses elementos aparecem quando são necessários e não aleatoriamente. Será o Artur capaz de «jurar» que em outras obras de FC, incluindo muitas das «clássicas», das «consensuais», não existem por vezes elementos tecnológicos sem «contextualização» e «pressupostos rigorosos»?
Outra «inconsistência», ou «dissonância», «que torna esta leitura mais penosa é aquele(a) que prometia ser o(a) mais interessante»: a utilização, como diálogos, de «discursos» - enfim, textos autênticos – das personagens históricas introduzidas e «transformadas» (expressão minha) na narrativa; mas, atenção, não é esse recurso em si o problema para Artur Coelho mas sim a alegada «propensão do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais.» Poderá ser difícil a AC, e a outros, acreditar, mas o que lhe(s) parece «despejo» foi, e é, na verdade uma selecção cuidadosa, ponderada, com conta, peso e medida, e sempre adequada às diferentes «situações» que imaginei. Não, obviamente que nem todas as citações ocupam uma página. Mas, sim, algumas são longas, e isso foi deliberado, intencional; são densas e até mesmo desequilibrad(or)as, mas tal faz parte da estética da obra, porque replicam, reproduzem, os próprios excessos da época e das personagens que eu revisito e reformulo. «Archizero» parece admitir que «perde(u) logo o fio à meada». Sim, isso é um problema… mas dele, não meu. Seria de esperar que alguém que já leu tanto – incluindo bastantes livros de índole tecnológica – conseguisse aguentar, e sem se «perder», umas passagens mais compridas e que lidam com temas que não se podem exactamente considerar complexos.
Enfim, a única «inconsistência» explicitamente indicada por Artur Coelho refere-se às «escalas» (distâncias) que «não são consistentes ao longo da narração». E porquê? Porque «umas vezes estão expressas, outras não». No entanto, e obviamente, não há qualquer «inconsistência» por eu não estar sempre a fazer, e a mostrar, «contas», números de quilómetros, ou outro tipo de medição; haveria, sim, se eu me enganasse, se eu desse valores numa certa instância que estivessem em contradição com os de outra. Todavia, e muito, muito mais significativa, é a confissão feita por AC de que «não consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço ao Palácio Foz.» Sim, isso é outro problema… mas também dele, não meu. Eu tanto consigo conceber… que concebi mesmo. E eu sou lisboeta! Uma Lisboa «pequena», como a que existe na realidade, num «planeta Portugal» é que seria (muito) «inconsistente». Logo, é indiscutível que «o imaginar de Lisboa como um espaço imenso, com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também»… funciona. 
O principal problema - não meu, logicamente – está precisamente nisto: o de que há quem queira e consiga… conceber, e há quem não queira nem consiga. Paciência! Efectivamente, tudo se resumirá a uma questão de escala… pessoal, e não só. É por isso que uns criam e outros… criticam. E, porque muitos deles (a maioria) não têm essa experiência, essa faceta, de criadores, os críticos mais facilmente – e levianamente – desvalorizam e até desprezam o que aqueles, tantas vezes com elevados sacrifícios pessoais, fazem. Assim, nesse sentido, se por um lado devo congratular Artur Coelho por ter lido o meu livro na íntegra antes de opinar (algo deficientemente, é certo) sobre ele, por outro lado devo, ainda mais veementemente, condená-lo por – reincidindo num lamentável procedimento que eu, em ocasiões anteriores (com outras obras e outros autores), já lhe censurara – se permite armar em «spoiler» e revelar o final, o desenlace, daquele. Para tal ele dá a «justificação» (?) de que «não estou preocupado porque ao que parece nenhum leitor chega ao fim deste livro» - tanto mais insólita porque ele próprio chegou ao fim, e, obviamente, antes dele, e por mais incrível que isso possa parecer, outros também chegaram. Entre os quais, nomeadamente, este português e este inglês.
Esta atitude – indigna, não é de mais salientá-lo – de desrespeito por parte de Artur Coelho, à semelhança do seu derradeiro e desfavorável «veredicto» dado a «Espíritos das Luzes», acontecem fundamentalmente, acredito, por «group think», por «peer pressure»: AC refere «outros leitores deste livro, que (…) detestaram a curiosa cosmogonia» patente na minha obra, e admite que «gostaria de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo.» Não consegue… ou não quer? Quem são esses «outros que detestaram», que fazem com que o capítulo sexto seja «infame», e que «Archizero» tanto respeita – ou receia – a ponto de as opiniões deles ouvidas anularem os «elementos intrigantes» que encontrou? É pouco provável que os identifique ou que eles próprios se assumam… embora eu talvez fosse capaz de adivinhar quem são. De uma coisa pelo menos eu tenho a certeza quanto a essas «luminárias»: nunca até hoje secundaram a posição que eu enuncio e demonstro no meu artigo «A nostalgia da quimera», publicado há quase cinco anos, de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa». Preferem, aparentemente, continuar a ser membros de uma espécie de «Portugal dos Pequenitos da FC & F», conformados por estarem confinados a um sub-género que reconhecem (mas eu não) como inferior, se não por palavras, então por (falta de) actos. «Espíritos das Luzes» é a expressão, na ficção, daquela minha reflexão e da crença que a anima: imagina um Portugal grande, maior (um planeta!), e, logo, uma Lisboa grande, maior; e, sim, isso também pode implicar citações, e parágrafos, grandes, maiores.   
Não é de agora – aliás, e infelizmente, há uma antiga e funesta «tradição» disso – que a originalidade e até a radicalidade de certas obras sejam confundidas com a sua (suposta falta de) qualidade, e que na sequência disso sejam rejeitadas inicialmente. Acredito que «Espíritos das Luzes» se encontra nessa categoria. Porém, leitores, «críticos», editores, já há muito que deveriam ter aprendido com os exemplos e com as lições do passado para não continuarem a cometer os mesmos erros de avaliação e de decisão no presente. Quantas vezes aconteceu, ao longo da história cultural em geral, e literária em especial, que a «bizarria» de ontem (hoje) é a genialidade de hoje (amanhã)? Só por isso deveriam ter mais cuidado, não vá dar-se o caso de, depois, arrependerem-se amargamente… por os seus «retratos» para a posteridade não se revelarem, afinal, os mais favoráveis. (Também no Simetria.)  

sexta-feira, junho 17, 2016

Outros: Livros MIL

Passaram ontem seis meses desde a apresentação do meu mais recente livro publicado, «Q – Poemas de uma Quimera», aquando do colóquio «Afonso de Albuquerque, 500 Anos – Memória e Materialidade». Porém, aquela minha obra é apenas uma entre várias de uma «colecção» que o Movimento Internacional Lusófono tem vindo a editar nos últimos meses, e que incluem: «A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do Século XIX»; «A Literatura Russa Vista por Autores Portugueses»; «André Brun – Antologia de Textos e Anedotas Sobre a Grande Guerra de 1914-1918»; «Eduardo Lourenço em Roda Livre»; «Filosofia, Arte e Literatura – Uma abordagem sobre a Formação Poética, Literária e Estética do Povo Cabo-Verdiano»; «O Acto de Escrita de Fernando Pessoa»; «Olhares Luso-Brasileiros». O meu livro é, de facto, até ao momento, a única excepção… poética entre um lote de prosas de não-ficção, do qual deve ser realçada a grande diversidade de temas.  

domingo, junho 12, 2016

Ordem: Sim, também irei ripostar…

… A uma nova, mais recente, recensão do meu livro «Espíritos das Luzes». Foi feita por Artur Coelho, que a publicou, no passado dia 7 de Junho, no seu blog Intergalactic Robot. Em breve, aqui no Octanas e também no Simetria, divulgarei a minha resposta. Será como a anterior? Esperem e verão. ;-) 

terça-feira, junho 07, 2016

Observação: Lágrimas púrpuras

No passado dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador, lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma «ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente. Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou: «Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite, telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano, mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…          
Em Paisley Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás, e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso; aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um recluso.
Numa palavra, Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que, passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor severa e crónica».
Ele não mudou a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações, atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas» aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de (muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.        
Agora, a grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos? Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de «Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993 escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton, (ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé», artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê? Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo. Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Obamatório.) 

quinta-feira, maio 26, 2016

Ocorrência: Eu não, mas o actual mC sim

Ao longo dos anos já concorri a vários prémios literários em Portugal, tanto com obras inéditas como com obras publicadas. E, até agora, o «palmarés», o «pecúlio», é reduzido: apenas uma menção honrosa – em mais do que um sentido, pois foi outorgada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal – ganha (com o meu amigo e co-autor Luís Ferreira Lopes) por «Os Novos Descobrimentos» em 2008. O mais recente dos prémios a que me candidatei, com «Q – Poemas de uma Quimera», foi o Grande Prémio de Literatura DST 2016, que tem a particularidade de apurar previamente cinco finalistas dos quais o vencedor, depois, será escolhido. Aqueles foram anunciados no passado dia 16, após reunião e decisão do júri constituído por Carlos Mendes de Sousa, José Manuel Mendes e Vítor Aguiar e Silva. E são: Isabel Mendes Ferreira, «O Tempo é Renda»; João Miguel Fernandes Jorge, «Mirleos»; Luís Filipe Castro Mendes (sim, o actual ministro da Cultura), «A Misericórdia dos Mercados»; Luís Quintais, «O Vidro»; Manuel Alegre (sim, o ex-deputado do Partido Socialista e ex-candidato à presidência da república), «Bairro Ocidental».
(Adenda - Manuel Alegre foi o vencedor. Alguém terá ficado surpreendido? Note-se, por curiosidade, que o seu livro tem 56 páginas, o que faz dele o mais pequeno entre os finalistas... e, eventualmente, entre todos os concorrentes.)       

segunda-feira, maio 16, 2016

Ordem: De mim, e não de António Costa

Ontem, 15 de Maio, decorreu a cerimónia oficial de «rebaptismo» do aeroporto de Lisboa, até agora designado «da Portela», enquanto Aeroporto Humberto Delgado. Com as presenças do presidente da república, do primeiro-ministro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, familiares do homenageado e outras individualidades. Entre as quais eu não estive porque não recebi um convite. Que, acredito, merecia, porque foi de mim, e não de António Costa, que partiu a ideia desta nova designação. Algo que, porém, o actual governo não parece interessado em reconhecer e em divulgar.
Já a 11 de Fevereiro do ano passado, quando a CML aprovou uma moção – subscrita unicamente pelo então presidente e actual chefe de governo – propondo a alteração, eu assinalei o facto e lembrei a minha precedência na ideia, concretizada num artigo publicado na edição Nª 1827 do jornal Expresso, em 3 de Novembro de 2007 – e que está incluído no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um Novo País». No entanto, se então não julguei indispensável «avisar» as entidades envolvidas da existência daquele meu texto (embora tenha considerado fazê-lo), as dúvidas desvaneceram-se completamente quando, exactamente um ano depois, a 11 de Fevereiro deste ano, foi anunciada a decisão do corrente executivo de concretizar, a 15 de Maio (data do 110ª aniversário de nascimento de Humberto Delgado), a moção da edilidade da capital – expressa numa resolução do conselho de ministros em que António Costa aparece novamente como único signatário.
Assim, a 28 de Abril último falei por telefone com o assessor de imprensa da ANA-Aeroportos de Portugal, a quem enviei depois, no mesmo dia e por correio electrónico, um ficheiro com a imagem da página (36), contendo o meu artigo, da referida edição do Expresso. Por sugestão daquele, no dia seguinte (29 de Abril) contactei, também por correio electrónico, o gabinete do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, anexando não só, igualmente, o ficheiro mencionado, mas ainda expondo os motivos do meu contacto: «no contexto da atribuição do nome do “General sem medo” ao aeroporto da capital, em cerimónia que se realizará no próximo dia 15 de Maio, decidida pelo actual governo na sequência de uma petição aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa em 2015, revelar que a referida homenagem foi (por mim) proposta previamente, e solicitar que esse facto seja, a partir de agora, devidamente divulgado nas acções de comunicação relativas à iniciativa.» Só a 9 de Maio (ou seja, 10 dias depois) recebi a resposta, que consistia na informação de que a chefe de gabinete do ministro decidira, em despacho, reencaminhar a minha mensagem para o assessor de imprensa do MPI…
… E este, finalmente, contactou-me a 13 de Maio, mas só depois de eu lhe ter enviado uma mensagem solicitando-lhe alguma rapidez porque a data da cerimónia aproximava-se. Em que consistiu a missiva? Fundamentalmente, na inclusão de um anexo com uma nota de agenda informando da presença do ministro Pedro Marques, ontem, no aeroporto, e da ligação para a página do Diário da República com a já citada RCM. Eu repliquei, antes de mais, agradecendo a resposta, mas a seguir fazendo notar que «ela não vai ao encontro da questão fundamental que expressei na minha mensagem de 29 de Abril último, dirigida ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (por indicação, volto a salientar, da ANA): o reconhecimento formal, oficial, por parte do actual governo, de que é minha a ideia de atribuir o nome do General Humberto Delgado ao aeroporto de Lisboa. Assim, continuarei a aguardar que tal esclarecimento seja feito, em especial na (e/ou na sequência da) cerimónia que vai decorrer no próximo domingo, dia 15 de Maio - que tentarei acompanhar atentamente “à distância”, porque não recebi convite para nela participar.» E, efectivamente, tanto quanto me foi possível depreender, o meu nome e o meu artigo não tiveram qualquer menção. Aliás, a única alusão na comunicação social (de que tenho conhecimento) à minha proposta de há quase nove anos foi feita, na passada sexta-feira, por Nuno Pacheco, director-adjunto do Público, no seu artigo «Nomes que voam alto», o que muito agradeço.
Tudo considerado, reflectindo sobre o que neste caso aconteceu, e, mais, sobre o que não aconteceu, tenho legitimidade para admitir como muito provável a hipótese de que António Costa viu o meu artigo de 2007 e dele retirou a ideia que, depois de um «esboço» enquanto autarca, concretizou posterior e finalmente enquanto primeiro-ministro. O Expresso não era propriamente, reconheça-se, um jornal de reduzida tiragem e de menor influência e que não conta(va) também entre os seus leitores regulares todos os principais dirigentes político-partidários nacionais. E mesmo na eventualidade de ignorarem a existência do meu texto antes de os ter contactado, aos responsáveis actuais do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas em especial, e do governo em geral, exigir-se-ia outra atitude, outro comportamento, a partir do instante em que tiveram conhecimento – dado por mim – de uma proposta prévia que visava igualmente homenagear Humberto Delgado. Uma atitude e um comportamento mais consentâneos com a probidade e o rigor que são expectáveis de quem exerce cargos públicos. (Também no MILhafre.)  

terça-feira, maio 10, 2016

quarta-feira, maio 04, 2016

Ocorrência: «Q» em destaQue…

… Na Biblioteca Municipal de Alverca, durante quase todo o mês de Abril último. O meu mais recente livro publicado esteve num expositor, ornado com a designação «Escritores cá da nossa terra», colocado à entrada daquela biblioteca – que, aliás, tem uma «colecção» quase completa das minhas obras (só falta uma), por mim oferecidas à medida que foram saindo ao longo dos anos. Agradeço à equipa da BMA a atenção e a distinção. 

sábado, abril 30, 2016

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2016

A literatura: «52 Métricas de Marketing e Vendas», Luís Bettencourt Moniz e Pedro Celeste; «Arte de "Guerra das Estrelas" - Conceito», Doug Chiang, Erik Tiemens, Joe Johnston, Ralph McQuarrie, Ryan Church, e outros; «Contos do Gin-Tonic» e «Novos Contos do Gin», Mário-Henrique Leiria; «Discussão», Jorge Luis Borges; «O Homem que Trazia Instruções, e Outras Estórias», Beatriz Pacheco Pereira; «Profetas e Profecias», Jean-Paul Bourre; «A Morte», Maria Filomena Mónica; «Vampirella Vive», Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Warren Ellis.
A música: «26 Classic Pop Hits» e «26 Country Hits», Tom Jones; «4» e «Agent Provocateur», Foreigner; «Every Good Boy Deserves Favour», Moody Blues; «To Be Kind», Swans; «Fado Português», Amália Rodrigues; «Never Mind The Bollocks, Here's The...», Sex Pistols; «Take It Satch!», Louis Armstrong & The All Stars; «It's Time For A Love Revolution», Lenny Kravitz; «Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81», Pink Floyd; «Il Trionfo d'Amore», Francisco António de Almeida (por Ana Quintans, Carlos Mena, Cátia Moreso, Fernando Guimarães, Joana Seara e João Fernandes, com Vozes Celestes e Os Músicos do Tejo sob direcção de Marcos Magalhães).
O cinema: «Casa Segura», Daniel Espinosa; «De Dentro Para Fora», Pete Docter; «Os Gatos Não Têm Vertigens», António Pedro de Vasconcelos; «Os Pinguins do Sr. Popper», Mark Waters; «Salvando o Sr. Banks», John Lee Hancock; «Terminador - GéneSis», Alan Taylor; «O Grão e a Tainha», Abdellatif Kechiche; «Homem do Rei - O Serviço Secreto», Matthew Vaughn; «Orgulho e Preconceito», Joe Wright; «Vingadores - Idade de Ultron», Joss Whedon; «Que Estranho Chamar-se Federico», Ettore Scola; «O Feiticeiro de Oz», Larry Semon; «Intocáveis», Eric Toledano e Olivier Nakache; «O Caçador de Recompensas», Andy Tennant; «Gravidade», Alfonso Cuarón; «Ted», Seth MacFarlane; «Maleficente», Robert Stromberg; «Beijo Beijo, Bang Bang», Shane Black; «Táxi», Tim Story; «A Dupla Vida de Verónica», Krzysztof Kieslowski; «Hannah Arendt», Margarethe Von Trotta; «Imperador», Peter Webber; «Orla do Amanhã», Doug Liman; «O Calor», Paul Feig; «Spectre», Sam Mendes; «O Mordomo», Lee Daniels; «Yvone Kane», Margarida Cardoso; «Atrás do Candelabro», Steven Soderbergh; «Fúria», David Ayer; «RoboCop», José Padilha; «Minha Mãe», Nanni Moretti.
E ainda...: «Lazarus», (vídeo musical de) David Bowie; «Our Return» (documentário sobre o regresso oficial da Porsche às 24 Horas de Le Mans); «O Sonhador de Oz - A História de L. Frank Baum» (telefilme), Jack Bender; Museu do Neo-Realismo - exposição «Manuel Guimarães, Sonhador Indómito» + exposição «Garcez da Silva - Percursos» + exposição «SemConsenso, Banda Desenhada, Ilustração e Política» + «Mostra de escultura do acervo do MNR»; FNAC - exposição de ilustrações «Viagem ao imaginário de "Eu Quero a Minha Cabeça!" e "Barriga da Baleia"» de António Jorge Gonçalves (Chiado) + exposição de fotografias (de vários autores) «Rock In Rio - 30 Anos» (Vasco da Gama); Plataforma de Associações da Sociedade Civil - «IV Congresso da Cidadania Lusófona - O Balanço da CPLP»; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Uma "insólita ofensiva de corrupção": nos 50 anos dos processos à Afrodite no Tribunal Plenário» com Pedro Piedade Marques, João Pedro George e João Paulo Guerra + exposição «O Tempo das Imagens: edições recentes do Centro Português de Serigrafia» + exposição «A circulação do Direito na Europa Medieval: manuscritos jurídicos europeus em bibliotecas portuguesas» + mostra «Os intelectuais portugueses e a guerra 1914-1918» + mostra «No Centenário da Cruzada das Mulheres Portuguesas» + mostra «80 anos d'O Mosquito» + mostra «Entre páginas, entre vidas: marcadores de livros (colecção de Lúcio Alcântara)»; «Black Dandy», (documentário de) Ariel Wizman e Laurent Lunetta; Centro Interpretativo do Parque das Nações/Pavilhão de Portugal - exposição «A Cidade Imaginada»; «Californicação» (sétima e última temporada, último episódio).

terça-feira, abril 26, 2016

Obrigado: Aos alunos e aos professores…

… Da Escola EBI do Bairro do Paraíso e da Escola EB1 Dr. Sousa Martins, ambas em Vila Franca de Xira e pertencentes ao Agrupamento de Escolas Professor Reynaldo dos Santos, que, respectivamente no passado dia 20 de Abril e hoje, 26, me receberam para me ouvir falar – e com eles conversar – sobre as causas, consequências e significados dos acontecimentos ocorridos no dia 25 de Abril de 1974. Tendo, naqueles dois estabelecimentos de ensino, estado perante crianças do 3º e do 4º anos de escolaridade, ou seja, com não mais do que 9 anos de vida, o meu ponto de partida foi o de que aquando da «Revolução dos Cravos» eu tinha exactamente aquela idade; e, embora privilegiando uma perspectiva nacional na abordagem daquele facto histórico, não deixei de incluir uma referência regional, concelhia... e até familiar, pessoal – a evocação dos irmãos Carlos e Octávio Pato, meus primos, originários de VFX, militantes do Partido Comunista Português, resistentes ao regime deposto em 1974/4/25, presos e torturados (e, no caso do primeiro, assassinado) pela PIDE. Enfim, aqui faço também um agradecimento especial a António José Fonseca, professor-bibliotecário do AEPRS, que me convidou.  

sexta-feira, abril 22, 2016

Outros: Contra o AO90 (Parte 13)

«Autores “infanto-juvenis”: colaboracionismo ortográfico?», Madalena Homem Cardoso; «Uma verdade que os leitores do Expresso não estão a ver», «Professores “da esquerda” e “muito arrogantes”?», «Back to the “fatos” e “contatos”», «O Acordo Ortográfico de 1990 e o sistema grafémico do português europeu», «Como se para um homem», «Havendo activos, há esperança», «Algumas reflexões acerca da fiscalização abstracta», «O New York Times e a falta de perspectiva», «”Piada com Sporting obriga Marisa Matias a retratar-se”», «Retrospectiva ortográfica», «Não há perspetiva comum», «Orçamento de Estado para 2016», «Afinal, havia outro», «O retrato oficial» e «Em “direção” ao futuro?», Francisco Miguel Valada; «O português devora-se a si mesmo», José Carlos Fernandes; «Resistindo ao desejo de gastar seis euros» e «Emudecendo consoantes», José António Abreu; «Treinador Octávio Machado muda de nome», «Há que não “compatuar” mas “convitamente”», «Descubra as diferenças», «”Project” é Inglês? Não interessa. Acordize-se!», «Proselitismo na sombra», «Tão subtil como uma marretada na cabeça», «A Wikipédjia lusôfuna», «Contrato de edição "ne varietur" (proposta)», «Academia de Lisboa versus Académie française», «A escola do caos», «Empate técnico», «Presidência “direta”», «Muhammad Saeed al-Sahhaf não está em vigor», «Como diz a outra», «Literatura, concursos, prémios, direitos de autor e AO90» e «cAOs na Presidência», João Pedro Graça; «”Acordo Ortográfico” discutido pela terceira vez em 25 anos» e «”AO”/90 – Um monumento de incompetência e ignorância», Ivo Miguel Barroso; «O Acordo Ortográfico e o ensino – Instantâneos do caos», «E novidades sobre o acordo ortográfico? Não há!» e «Pagamento da factura – A influência do AO90 na pronunciação», António Fernando Nabais; «O númerozinho» e «Ardeu a língua “passada dos carretos”?», Rui Valente; «António Costa deve ser julgado por crime de lesa-Pátria», João José Horta Nobre; «Academia e bom senso», «Tudo língua, tudo Coimbra», «Se fosse só três sílabas…», «Palmas para a Academia», «Ortografia é que não» e «A oitava revisão», Nuno Pacheco; «O órgão vital – O bolso», «Língua sacaneada», «Estrela de seis pontas», «A revelação da língua portuguesa» e «Bombeiros pirómanos», Olga Rodrigues; «Resistência activa ao aborto ortográfico (111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118) e «Presidenciais (32)», Pedro Correia; «Réu condenado a pena suspensa», Duarte Afonso; «Deixemos respirar livremente as ortografias nacionais», Artur Anselmo; «Ao(s) sábio(s) da “Real” Academia das Ciências de Lisboa», António Marques; «Quem te avisa teu amigo é» e «”Ne Varietur” – Crónica de uma publicação almejada», Graça Maciel Costa; «O acordo adormecido» e «E a montanha pariu um rato», Isabel Coutinho Monteiro; «Carta aberta a António Costa, primeiro-ministro de Portugal» e «AO/90 – “Fição” de alucinados ou português “koiné”?», Isabel A. Ferreira; «O “Acordo Ortográfico” de 1990 não está em vigor», «O AO90 não está em vigor em Estado nenhum», «O Presidente da República e o Acordo Ortográfico de 1990» e «A não vigência do Acordo Ortográfico de 1990», Carlos Fernandes; «Insólito» e «Insólito II», Edward d’Abreu; «O ”Acordo Ortográfico” de 1990 e as Presidenciais», Artur Magalhães Mateus; «Gentílico acreano deve integrar armas e brasões do Acre», Luísa Karlberg; «O apocalipse “apocalítico”», José Mário Silva; «O que alguns irmãos do Brasil pensam», José Ramos-Horta; «Carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa», Belmiro Narino; «Sofismas e outros “arenques vermelhos”», Cláudio Quintino Crow; «Achegas», Sérgio de Almeida Correia; «Como utilizar e odiar o Novo Acordo Ortográfico», Joana Costa; «Em defesa da língua portuguesa», José Manuel Araújo. (Também no MILhafre.)

sábado, abril 16, 2016

Orientação: Sobre «extremos», no Público

Na edição de hoje (Nº 9496) do jornal Público, e na página 52, está o meu artigo «Em extremos opostos da Europa». Um excerto: «Felizmente para a Europa, a situação nacional é, neste âmbito, um caso praticamente único. Vítima inevitável e inescapável da sua intrínseca falácia intelectual e da sua inerente falência moral (e material, muitas vezes também), a esquerda está em recuo, em retirada, em retracção, em retrocesso por todo o Velho Continente… E esse processo é mais visível e está mais completo para lá da linha Oder-Neisse, onde há um país que, politicamente, é como que um reflexo do nosso, um contraste total connosco.»
O conceito principal deste artigo já havia sido de certo modo abordado em comentários recentes que fiz a textos no blog Delito de Opinião. Um de Luís Menezes Leitão a 30 de Março último: «O feriado de 5 de Outubro foi bem abolido: comemora(va) um golpe de Estado perpetrado por uma minoria de fanáticos e de terroristas (regicidas, assassinos) que derrubou um regime democrático (pelos padrões da época, e em consonância com o que existia em outros países). Neste assunto Pedro Passos Coelho não mostrou “fanatismo” mas sim incompetência e inépcia. Além de que PSD e CDS poderão ser partidos ”estúpidos” - a manutenção do AO90, e não só, demonstra-o - mas não são de direita»..
… E outro de Pedro Correia a 8 de Abril último: «(…) Não me incluo naqueles que hoje consideram “quase exemplares” e que “entoam hossanas” as/às gerações de políticos/galeria de “estadistas” que se sucederam após o 25 de Abril, praticamente todos de esquerda. Elaboraram e aprovaram uma constituição que não precisou de esperar pelo seu 40º aniversário (que se “celebra” este ano) para se tornar obsoleta, quase “digna” do ex-COMECON, ofensiva e anti-democrática com o seu “abrir caminho para uma sociedade socialista” e a (obrigação de manter a) “forma republicana de governo”, de tal modo ideológica, programática e restritiva que tem condicionado, impedido, o verdadeiro desenvolvimento. Levaram o país à falência mais do que uma vez. Implementaram o “(des)acordo ortográfico”... É por isto e muito mais que eu sou monárquico e a favor de uma mudança de regime; do actual, da III República, muito pouco(s) se aproveita(ria)(m).»
Hoje, Dia Mundial da Voz, constitui uma ocasião ainda mais simbólica e significativa para se fazer ouvir aquela, mesmo que na forma escrita… mas correcta, evidentemente. (Também no MILhafre.) 

quinta-feira, abril 07, 2016

Ordem: Estou interessado e disponível…

… E não é de agora, para participar em festivais literários, em Portugal e no estrangeiro. Preferiria, obviamente, que as organizações desses festivais que eventualmente me convidassem custeassem as minhas despesas de transporte, alojamento e alimentação inerentes a essas participações, mas tal não seria indispensável para que eu considerasse e mesmo aceitasse, se não todas, pelo menos algumas delas.
Faço esta – séria, mas com um sorriso nos lábios - «declaração de interesses» na sequência da publicação do artigo «Para que(m) servem um Festival Literário?», de Joana Emídio Marques, publicado no jornal Observador no passado dia 20 de Março. Apesar de estar escrito em «acordês», justifica-se desta vez conter a repugnância pela forma devido à qualidade e à relevância do conteúdo: a jornalista decidiu compilar, listar, comparar, enfim, (tentar) sistematizar quais são os escritores nacionais mais solicitados para colaborar nos – já bastantes – festivais literários que são realizados regularmente (anualmente) em vários pontos do país. A conclusão principal? Existe um pequeno grupo de «habitués», de privilegiados, invariavelmente presentes nas sucessivas edições desses festivais, que retiram daí benefícios – se não financeiros, pelo menos (o que não é pouco) mediáticos, promocionais, de prestígio – do seu «estatuto» (oficioso) de «convidados permanentes».
Surpreendentemente (ou talvez não…), e tanto quanto pude apurar, não existiram até ao momento muitas e/ou significativas reacções públicas ao artigo… com excepção de (apenas) cinco comentários na sua respectiva página digital. Um deles, porém, especialmente significativo, é do escritor Pedro Garcia Rosado, que considera que o trabalho de investigação de Joana Emídio Marques «está bem feito e é um retrato bem sugestivo de uma actividade que parece não escapar à lógica portuguesa das “capelinhas” e dos bem nutridos egos dos seus membros.» Mais: «entre 2004 e 2014 tive 10 livros publicados, não em edição de autor mas sim por editoras reais (Temas e Debates/Círculo de Leitores, Asa e 20|20/TopSeller). Nunca fui convidado para ir a uma das iniciativas citadas no texto. Talvez por não pertencer a “famílias” como as que parecem habitar as várias iniciativas mas também, muito provavelmente, por escrever “thrillers”, ou “policiais”, literatura que em Portugal parece mal.» Na verdade, um muito maior grupo de escritores não tem tido acesso a estas iniciativas… a não ser como espectadores. E, precisamente, há (sub)géneros literários que pura e simplesmente não (e)s(t)ão representados nesses eventos. Não só o policial mas também, e principalmente, a ficção científica e fantástico, que, no meu artigo «A nostalgia da quimera», demonstrei ser o mais importante da história da literatura portuguesa.
Assim, e por tudo isto, eu «apelo», «desafio», (a)os promotores dos encontros de Belmonte, Bragança, Castelo Branco, Lourinhã, Matosinhos, Óbidos, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, entre outros: não hesitem em contactar-me! E, se quiserem, terei todo o gosto em sugerir outros nomes! ;-) (Também no MILhafre.)

quarta-feira, março 30, 2016

Organização: Enfim, «completo»! ;-)

Hoje, finalmente, completei a (não propriamente «santíssima») «trindade existencial(ista)» contemporânea de realização pessoal: já escrevera (mais do que) um livro, já fizera (com ajuda ;-), mais do que) um filho (na verdade, três filhas), e, esta manhã, plantei, devidamente acompanhado e auxiliado, não uma, não duas mas sim três árvores. Admito que é algo insólito o facto de eu só ter dado o meu contributo individual e directo para uma reflorestação que se deseja permanente apenas depois dos 50 anos de idade, mas a vida (em geral, e a minha em especial) nem sempre se (tem) caracteriza(do) por progressões e/ou realizações mais ou menos normais e/ou previsíveis. E esse (tardio) contributo significa também que o meu poema «Escrever um livro, plantar uma árvore, fazer um filho», que escrevi em 1992 e que publiquei aqui, no Octanas, em 2006 (constituindo, aliás, o post mais visto deste blog) está, enfim, «ratificado» pelo seu próprio autor.

terça-feira, março 22, 2016

Orientação: Sobre (não) «obrigar», no Público

Na edição de hoje (Nº 9471) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «Não há qualquer obrigação». Um excerto: «O AO90 nada tem a ver com (a autêntica) evolução: tal como outras mudanças ortográficas abrangentes e súbitas ocorridas anteriormente, constitui(u) uma ruptura revolucionária causada, conduzida, por poucas pessoas, por pequenas minorias, aptas para imporem essas mudanças por estarem em posições de poder – e, frequentemente, poder ditatorial. Essas rupturas, feitas em nome de ideologias e não de necessidades reais, causa(ra)m perturbações, prejuízos - neste caso na língua, na ortografia. Para o comprovar nunca é demais apontar para os permanentemente altos índices de analfabetismo e de iliteracia tanto em Portugal como no Brasil.» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e n'O Lugar da Língua Portuguesa.)

segunda-feira, março 21, 2016

Ocorrência: Dia Mundial – e «pessoal» - da Poesia

Hoje, 21 de Março de 2016, celebra-se mais um Dia Mundial da Poesia. Porém, desta vez, a data tem para mim um significado… mais especial, mesmo pessoal: é o primeiro DMP em que tenho para mostrar, para vender e para (dar a) ler (aos outros) um livro de poesia, publicado, da minha autoria («Poemas», de Alfred Tennyson, editado em 2009 e que eu traduzi, neste caso não «conta»)... 
.. Que é, evidentemente, «Q – Poemas de uma Quimera», editado em 2015 pelo Movimento Internacional Lusófono e apresentado em Lisboa, na Biblioteca Nacional de Portugal, a 16 de Dezembro do ano passado – exactamente quando passaram cinco séculos sobre a morte de Afonso de Albuquerque, e também quando começou, naquela biblioteca, um colóquio dedicado ao Vice-Rei organizado pelo MIL em colaboração, além de com a BNP, também com o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Hoje é também o Dia Mundial da Árvore (ou Internacional das Florestas), e, porque é das árvores que vem o papel para os livros (que convém que mereçam o papel em que são impressos), ainda mais marcante se torna esta data. Que, por tudo isto, acabou por ser a adequada para formalizar a minha participação, com «Q», num prémio nacional de poesia – apenas o primeiro de vários aos quais pretendo concorrer no decorrer deste ano.
Entretanto, esta minha obra, e outras editadas pelo MIL, estarão à venda amanhã (terça-feira, 22 de Março) e depois (quarta-feira, 23 de Março), respectivamente na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Universidade Lusófona, durante o IV Congresso da Cidadania Lusófona.     

sábado, março 12, 2016

Ocorrência: 20 anos no Público

Foi há precisamente 20 anos – a 12 de Março de 1996 – que saiu no Público (Nº 2193) o meu primeiro artigo de opinião naquele jornal. O primeiro que saiu, note-se, enquanto tal, no espaço próprio daquele diário; antes, em 1995, dois outros artigos meus haviam sido publicados na secção de correio, embora na verdade não se tratassem de cartas ao director. Mas ao terceiro foi de vez…
 … E, intitulado «O Estado assassino», começa(va) assim: «O Estado deveria ser em Portugal uma pessoa (colectiva) de bem. Um exemplo de justiça a seguir. Um modelo de rigor a imitar. Porém, e infelizmente, não é isso que acontece. No nosso país, e como se já não bastassem as inúmeras provas de incompetência, irresponsabilidade e incoerência que tem dado ao longo dos anos, o Estado tem revelado frequentemente, pelos seus erros ou omissões, ser um autêntico criminoso. Não só por não pagar aquilo que deve ou fazê-lo tarde e a más horas, e exigir que os cidadãos o façam sob pena de multa ou prisão. Mais do que isso: em Portugal o Estado é um verdadeiro assassino. Um assassino hipócrita. Os três casos que a seguir expomos demonstram-no claramente, sem deixarem lugar a dúvidas.»
Está incluído, tal como os dois anteriores que referi, no meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País», editado em 2012, juntamente com outros que, posteriormente, também apareceram inicialmente nas páginas do diário fundado por Vicente Jorge Silva há mais de 25 anos. Honra-me ser há duas décadas colaborador, mesmo que ocasional, de um jornal que, corajosa e dignamente, continua a recusar submeter-se ao dito «Acordo Ortográfico de 1990». E a minha mais recente colaboração é, recordo, «Não se endireita», publicado no passado dia 27 de Janeiro.