quinta-feira, março 23, 2017

Opções: Por um referendo à UE

Já assinei a petição «Em prol de um referendo sobre o futuro da União Europeia», promovida pelo Movimento Internacional Lusófono e dirigida «às senhoras e aos senhores deputados da assembleia da república portuguesa». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta e que explica a iniciativa: «Mil e uma vezes nos foi prometido um referendo sobre a nossa integração na União Europeia, sem que alguma vez esse referendo tenha ocorrido. Consideramos ser este o momento certo. Portugal não pode continuar dependente das decisões dos outros países europeus. Portugal pode e deve assumir em que termos pretende continuar na União Europeia. Portugal pode e deve decidir, finalmente, a melhor forma de articular a nossa relação com o espaço europeu com a nossa, até aqui tão desprezada, relação com o espaço lusófono. Chegou finalmente a hora de os portugueses se pronunciarem sobre o nosso futuro.»
A hipótese, e a(s) proposta(s), de realização de uma consulta popular sobre a nossa presença e a nossa participação nas instituições e nas políticas comunitárias e unitárias europeias, têm sido apresentadas e discutidas no nosso país há muitos anos – em especial desde 1992, aquando da assinatura do Tratado de Maastricht. Porém, vários têm sido os politicos portugueses em cargos de elevada importância a recusarem sequer considerar essa possibilidade. Um deles, mais recentemente, e por mais de uma vez, é o actual presidente da república, para quem tal questão «não se põe» ou é mesmo «inadmissível». Uma atitude típica de elitista, que se acha superior aos seus compatriotas, que acredita que pode e deve sempre pensar e decidir pelo povo ignorante e irresponsável. E depois queixam-se do recrudescimento do «populismo»! 

terça-feira, março 14, 2017

Ocorrência: Censurado pelo Público…

… Ou, mais correctamente, por algumas pessoas no Público. Hoje, no meu (outro) blog Obamatório, publiquei o meu artigo «Histeria histórica»… integralmente, quando o objectivo inicial era apenas reproduzir do mesmo um excerto. E há mais de um mês: no passado dia 12 de Fevereiro enviei-o àquele jornal para ser editado, mas apenas electronicamente – a sua elevada dimensão (quase 14 mil caracteres) tornava a sua passagem a papel improvável, se não mesmo impraticável.
Porém, no dia 23, e depois de me ter garantido, em conversa por telefone no dia 20, que ele seria publicado a 22, Nuno Ribeiro enviou-me uma mensagem em que me informava de que, afinal, e após uma «avaliação», o meu texto não sairia. Em conversa por telefone posterior com o actual editor de opinião do Público perguntei-lhe repetidamente quem efectuara essa «avaliação» e o que se concluíra nela – isto é, quais os motivos concretos que haviam levado à reversão da decisão inicial. O meu interlocutor recusou-se a responder, reiterando que o meu artigo era «impublicável», e aconselhou-me a recorrer ao actual director, David Dinis. O que fiz…
… Por correio electrónico nesse próprio dia, 27 de Fevereiro, tendo recebido uma resposta a 8 de Março. Nela, finalmente, tive conhecimento da «justificação» para a reprovação de «Histeria histórica»: é «ofensivo»… não segundo DD, que alegou não o ter lido, mas sim segundo as tais pessoas – o editor de opinião, de certeza, e os directores-adjuntos, talvez – que fizeram a tal «avaliação». Na minha réplica desafiei o director a apontar-me específicas e indubitáveis calúnias, erros, falsidades, mentiras, contidas no meu artigo. Até ao momento não o fez (aliás, não voltou a responder-me) e também não mandou publicá-lo. Portanto, e como «quem cala consente», deve-se depreender que, lamentavelmente, optou por ratificar a decisão dos seus subordinados, atentatória da liberdade de expressão, minha e não só.
É a primeira vez, em mais de 20 anos de colaboração, que um artigo meu é recusado pelo Público. Já fui alvo de discriminação e de censura, tentadas e concretizadas, por vários indivíduos e instituições, mas nunca, até agora, tal acontecera a partir do jornal fundado por Vicente Jorge Silva. Fica desde já aqui a (primeira) denúncia… que, todavia, não esgotará a minha reacção a esta indigna, intolerável ocorrência. (Transcrição no Apartado 53.)  

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Outros: Apresentando... «Lovesenda»

(Uma adenda no final deste texto.
No próximo dia 18 de Fevereiro será feita a primeira apresentação do novo livro – mais especificamente, o novo romance – de António de Macedo. Intitulado «Lovesenda ou o Enigma das Oito Portas de Cristal», terá o seu lançamento em Lisboa na Biblioteca São Lázaro (Arroios) a partir das 16.30 horas. Entretanto, a Editorial Divergência, que publica a obra, tem estado a efectuar a pré-venda desta na sua loja electrónica, numa promoção que se prolonga até dia 17 e que proporciona um desconto de 10% (sobre um preço-base de 24,99 euros).
Esta é a sinopse: «Altos Príncipes, Senhores de mim, sacerdotisas minhas irmãs — impacientais-vos? Quereis ouvir sem delongas a história abominável da arrebatada paixão da donzela Lovesenda, filha do conde Diogo Enheguiz, por um espectro? A história que está na raiz da sacrílega situação em que me despenhei? Aguardai porém um momento, suplico-vos: toda a alma tem paragens desconhecidas que somos obrigados a percorrer, por mais obscuras, e a alma da donzela Lovesenda e as inconfessáveis impaciências que nela desde cedo se alojaram exibem feias chagas que lhe foram abertas por uma fieira de medonhas investidas do outro mundo, tão feias como as dos secretos e despudorados procederes do conde Diogo, seu pai, e da condessa Châmoa Telles, sua mãe — cada um com sua traição para com o outro, e qual delas a pior.» Um enorme – 507 páginas! – trabalho de imaginação, «erudito, divertido e fascinante, eis António de Macedo no seu melhor», segundo Luís Filipe Silva.
Orgulho-me de ter dado um modesto contributo para a concretização desta edição. Há precisamente um ano (foi em Fevereiro de 2016), em mais uma troca de mensagens entre nós os dois, António de Macedo revelou-me que tinha três obras – mais concretamente, dois volumes de contos e um romance – que já haviam sido recusados por 14 (!) editoras, e concordou que a rejeição por parte daquelas «é a nossa sina. A única maneira de superar tudo isto é nunca perder a esperança.» Então, na resposta, eu sugeri-lhe que tentasse, que contactasse, a Editorial Divergência… e à décima quinta foi de vez! (Também no Simetria.)
(Adenda - A Editorial Divergência divulgou, no seu sítio na Internet, fotografias e vídeo da apresentação.)

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Observação: E, porém, ela existe…

Hoje assinala-se mais um – infeliz – aniversário do regicídio de 1908, um vergonhoso atentado, um hediondo crime, em que efectivamente viria a assentar a república em Portugal, «oficialmente» instaurada em 1910 por via de um golpe militar – e que por isso, e também por nunca ter sido directa e explicitamente ratificada em eleições, continua a constituir um regime ilegítimo. No que já se tornou uma – honrosa – tradição, a funesta data foi igualmente evocada pela Real Associação de Lisboa através da realização de uma missa de sufrágio na Igreja de São Vicente de Fora, seguida de uma romagem ao Panteão Real.  
Entretanto, e embora não tanto como em anteriores anos e ocasiões, as referências e mesmo as discussões a propósito, não só do assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luiz em particular mas da dicotomia, da questão Monarquia-República em geral, vão surgindo, sendo feitas, no espaço mediático nacional. Dois textos recentes, um num jornal (digital) e outro num blog, constituem disso demonstrações.
O primeiro, «Extremistas a ensinarem crianças», foi escrito por Maria João Marques e publicado no Observador – e reproduzido, em parte, no blog O Insurgente, onde a autora também colabora. Nele ela relata e comenta o que havia acontecido com um dos seus filhos, na escola, na disciplina de História. Um excerto: «(No) meio do programa algo fez o rapaz ficar baralhado com as misérias do Portugal monárquico e as maravilhas do Portugal republicano. Por razões misteriosas, ficou convencido que monarquia era sinónimo de ditadura e pobreza. E que a república, em Portugal, havia trazido o melhor dos mundos. Lá tive eu – que sou republicana, mesmo que não diabolize a monarquia (ok, assumo, é impossível resistir a gozar com certos membros de certas famílias reais) – que repor, naquela impressionável e adorável cabeça, a verdade. Que a pobreza dos tempos monárquicos se devia mais às características secularmente estruturais de Portugal (e que muitas delas persistem hoje, iguais ou ligeiramente travestidas) que ao singelo facto de termos monarcas. Que a Primeira República foi uma rebaldaria indecorosa, com atropelos graves aos direitos e liberdades dos portugueses e de um anticlericalismo radical e dispensável. Que chegou à infâmia de proibir explicitamente o voto feminino, anteriormente possível em circunstâncias estreitas. Que nada faz equivaler ditaduras a monarquias. Que o ditatorial Estado Novo (de resto convidado pela rebaldaria) era um regime republicano. Que vários países europeus ricos e democráticos são monarquias e que a coisa socialista proto-totalitária venezuelana é uma república, bem como todos os totalitarismos comunistas (sendo que estes costumam descambar em monarquias das más, de facto).» Uma atitude – de mãe e de pedagoga – louvável e correcta, e uma explanação que corresponde à verdade dos factos, apesar de serem prejudicadas, ironicamente, pela utilização do abjecto AO90, o mais recente dejecto de uma «(di)gestão ortográfica» prepotente, regularmente enfraquecedora da língua e da cultura, e que foi iniciada (em 1911), precisamente, pelos republicanos, e desde logo criticada, condenada, entre outros, por Fernando Pessoa.
O segundo texto, «Saraiva, Sena e Salazar», foi escrito por António Cirurgião e publicado no Malomil. Nele o autor recorda e relata encontros que teve, há mais de 30 anos, com António José Saraiva, e a opinião do famoso historiador (irmão de José Hermano Saraiva, pai de José António Saraiva) sobre o (então) presente e o passado recente do país. Um excerto: «Depois de ele proferir os maiores horrores sobre a situação política, social, económica e cultural de Portugal, eu perguntei-lhe que remédios aventava ele para solucionar essa deplorável situação. E a resposta dele não se fez esperar. “Essa deplorável situação” resolvia-se com a restauração da monarquia, com um reizinho, uma figura paternal, à imitação de Salazar. Só dessa maneira se poderiam governar os portugueses, o povo mais individualista e ingovernável do planeta.» Porque a outra interveniente nessa (e testemunha dessa) conversa, Maria de Lourdes Belchior, também já faleceu, o depoimento do Dr. Cirurgião não pode ser confirmado. Mas, a ser verdade, não deixa de ser deveras interessante o que um suposto marxista, comunista, concluíra quanto à que poderia ser a melhor solução para o país… embora, obviamente, o ditador vindo de Santa Comba Dão não constituísse – aliás, não constitui e nunca constituirá – uma figura modelar para uma monarquia que se pretende democrática…
… E que foi imaginada, por mais do que um autor, na antologia colectiva de contos de história alternativa «A República Nunca Existiu!», que eu concebi, organizei, em que participei, e que consegui publicar em 2008, no centenário do Regicídio. E, porém, ela existe… infelizmente. (Também no MILhafre.)

domingo, janeiro 22, 2017

Orientação: (Muitos d)Os meus artigos no Público

Já existe, no sítio na Internet do Público, a minha «página de autor» própria, que reúne (quase todos) os artigos que escrevi para aquele jornal e que por ele foram publicados, tanto electronicamente como também em papel (a maioria até agora), e dos quais eu fui dando notícia no Octanas desde 2005 – o mais recente é «Cidadãos ou cobaias?». Uma ligação permanente para essa página passa a estar igualmente disponível aqui no blog, à esquerda, no espaço «Outras obras individuais e colectivas».

terça-feira, janeiro 10, 2017

Observação: Nunca me arrependi

O falecimento, no passado dia 7 de Janeiro, de Mário Soares, em Lisboa, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internado desde 13 de Dezembro, motivou, como seria de esperar, uma avalanche avassaladora de declarações, elogios e elegias, homenagens, memórias, recordações, reminiscências e retrospectivas. Apesar de nunca ter tido a oportunidade de o conhecer pessoalmente, ao contrário, por exemplo, do meu amigo Rui Paulo Almas, em 1991, enquanto membro da Direcção da Associação Académica de Lisboa, o ex-secretário geral do PS e ex-primeiro-ministro não deixou de ter impacto também na minha vida…
… E isso aconteceu na qualidade de presidente da república. A eleição de 1986 representou para mim, e provavelmente para muitas outras pessoas, um importante ponto de viragem… porque começou aí o meu afastamento em relação ao Partido Comunista Português, a que estava ligado através da militância na Juventude Comunista Portuguesa: não compreendi e não concordei com o apoio dado a Francisco Salgado Zenha, e dei o meu voto, na primeira volta, a Maria de Lurdes Pintassilgo, ao contrário de vários «camaradas» meus de então que, apesar de terem simpatia pela ex-primeira-ministra, não deixaram de obedecer ao Comité Central… Pelo que, na segunda volta, me custou muito menos votar no tão vilipendiado «Bochechas», contra Diogo Freitas do Amaral. Um acto tão simples que, porém, foi como que um respirar de alívio, um «fazer as pazes»: o triunfo do marido de Maria Barroso – e é sempre de lembrar esta mulher notável, que faleceu em 2015 – constituiu como que um momento de distensão num país que, nos 12 anos anteriores, desde 25 de Abril de 1974, vinha acumulando antipatias e confrontos, uns mais graves do que outros. A campanha eleitoral foi empolgante, até excitante, como não acontecera antes e não voltou a acontecer depois.
A seguir a tomar posse, Mário Soares comportou-se no entanto de forma exemplar, diria que quase irrepreensível – é verdade que do Palácio de Belém foram lançadas regularmente algumas «farpas» a Aníbal Cavaco Silva, o que a mim não causava desagrado, pois ontem não tinha e hoje não tenho qualquer respeito pelo boliqueimense, que nunca recebeu o meu voto, nem como candidato a primeiro-ministro, nem como candidato a presidente da república: a actuação de «Gigi» (a alcunha de infância revelada por Mário Moniz Pereira) foi caracterizada por uma considerável abrangência, política, social e cultural; as suas viagens por Portugal, várias vezes sob a forma de – inovadoras - «presidências abertas», eram invariavelmente ocasiões de confraternização e mesmo de alegria popular; as viagens ao estrangeiro contribuíram decisivamente para começar a desvanecer a imagem do nosso país como um local atrasado, empoeirado, saudosista e soturno, e a integração europeia não impediu a (re)descoberta de outras conexões geográficas e geoestratégicas, delas se destacando a que resultou de uma memorável visita à Índia – surgiu mesmo a anedota sobre qual era a diferença entre Deus e Soares… um estava em todo o lado e o outro já lá tinha estado!
Na (re)eleição seguinte, ele voltou a vencer, desta vez facilmente, contra Basílio Horta. Não precisava do meu voto, mas eu entendi que ele o merecia – foi a minha forma de lhe dizer «obrigado», de agradecer (antecipadamente) a um republicano, socialista e laico me ter ajudado a tornar-me (ou a assumir-me como) um monárquico, conservador e cristão. Nunca me arrependi das duas vezes que desenhei um «x» à frente da sua fotografia – ao contrário do que aconteceu (por uma vez) com o seu sucessor. E é por isso que hoje, em que foi sepultado após um funeral de Estado, câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos – onde em 1985 assinou a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia – e três dias de luto oficial, prefiro, não tanto esquecer, mas não evocar os aspectos menos agradáveis do seu percurso, desde a sua participação na (desastrada) descolonização à sua terceira (e fracassada) candidatura presidencial em 2006, passando pelas revelações de Rui Mateus, a defesa que fez de José Sócrates e os cada vez mais infelizes (para não usar uma expressão mais desagradável) artigos de opinião no Diário de Notícias. Prefiro homenagear o opositor de António de Oliveira Salazar, o apoiante de Humberto Delgado, o discípulo de Agostinho da Silva. (Também no MILhafre.)  

sábado, dezembro 31, 2016

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2016

A literatura: «Triunfos», Francesco Petrarca; «Dois Cavalheiros de Verona», «A queixa de um amante» e «O peregrino apaixonado», William Shakespeare; «Direitos do Homem», Thomas Paine; «Os Mil e Um Fantasmas», Alexandre Dumas; «História Universal da Infâmia» e «Ficções», Jorge Luís Borges; «A Engrenagem», Jean Paul Sartre; «História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar», Luís Sepúlveda; «SuperHomem/HomemMorcego - Melhores do Mundo», Dave Gibbons e Steve Rude.
A música: «Retrato», Rita Guerra; «Du Chant À La Une!», «Nº 2» e «L'Étonnant», Serge Gainsbourg; «Weasels Ripped My Flesh», «One Size Fits All», «Bongo Fury» (com Captain Beefheart) e «Sheik Yerbouti», Frank Zappa; «Greatest Hits», Demis Roussos; «Perfect Strangers», Deep Purple; «The Clash», Clash; «A Vida Secreta Das Máquinas», Rodrigo Leão; «Born To Run», Bruce Springsteen; «Music», Madonna; «The Last Tour On Earth» e «The Pale Emperor», Marilyn Manson; «I'm Your Man», Leonard Cohen; «One O'Clock Jump», Count Basie; «Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada», Vitorino; «Symphonie Fantastique» (pela Orquestra Sinfónica de Chicago dirigida por Claudio Abbado), Hector Berlioz.
O cinema: «Hansel e Gretel - Caçadores de Bruxas», Tommy Wirkola; «Fura-Casamentos», David Dobkin; «O Armário da Mágoa» e «Zero Escuro Trinta», Kathryn Bigelow; «O Segredo das Pedras Vivas», António de Macedo; «Espelho», Andrei Tarkovsky; «REP», Robert Schwentke; «Os Dispensáveis 2», Simon West; «Riddick», David Twohy; «Oz o Grande e Poderoso», Sam Raimi; «Sopra», Ted Demme; «Philomena», Stephen Frears; «Nós Somos os Miller», Rawson Marshall Thurber; «3.10 Para Yuma», James Mangold; «A Outra Mulher», Nick Cassavetes; «Recolha Total», Len Wiseman; «Inimigo», Denis Villeneuve; «O Lobo de Wall Street», Martin Scorsese; «A Purga», James DeMonaco; «Código-Fonte», Duncan Jones; «Elysium», Neill Blomkamp; «Um Método Perigoso», David Cronenberg; «Thérèse Desqueyroux», Claude Miller; «Cidade Escura», Alex Proyas; «Depois da Terra», M. Night Shyamalan; «Transcendência», Wally Pfister; «G. I. Joe - Retaliação», Jon M. Chu; «Sabotagem», David Ayer; «As Aventuras do Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes», Gene Wilder; «Oblívio», Joseph Kosinski; «Jack Reacher», Christopher McQuarrie; «Guerra Mundial Z», Marc Forster.
E ainda...: MoteLx 2016 - 10º Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa; ITV-País de Gales - «Roger Glover - Made In Wales»; «Nova Colecção Outono», (anúncio publicitário do) El Corte Inglés; «Love Without Violins», (vídeo musical dos) Gift; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Nos 350 Anos da Morte de D. Francisco Manuel de Melo» (organização IFLB/MIL) + exposição «"Lux Anima" - Um olhar sobre o acervo da Biblioteca de Évora» + exposição «Da "Feliz Lusitânia" à "Felix Belém" - 400 anos da fundação de Belém do Pará» + mostra «Delfim Santos - O filósofo do diálogo» + mostra «As mil e uma entradas no labirinto - Gottfried Wilhelm Leibniz» + mostra «Cervantes - A figura que se esconde por detrás da obra»; «A Apanhada» (primeira temporada), Helen Gregory e Jennifer Schuur; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa - conferência internacional «Cidades Perdidas e Transformadas - Uma Perspectiva Digital»; «Ride 'Em On Down», (vídeo musical dos) Rolling Stones; «Convicção» (primeira temporada), Liz Friedlander e Liz Friedman; Fundação/Museu (do) Oriente - exposição «A Ópera Chinesa» + exposição «China hoje - A desafiar os limites» + exposição «Desorient Express - Dez peças em cerâmica de Bela Silva»; Câmara Municipal de VFX - Bienal de Fotografia 2016 de Vila Franca de Xira + exposição (no Museu Municipal) «Vila Franca de Xira, anos 40 a 50 do Século XX - Molduras de um Concelho».

domingo, dezembro 18, 2016

Orientação: Sobre cidadãos e cobaias, no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Cidadãos ou cobaias?». Um excerto: «Em Portugal, e ao contrário de Angola e de Moçambique, que se recusam – felizmente, e esperemos que definitivamente – a recuar no tempo, a regredirem enquanto nações, esse novo “Estatuto do Indigenato” (...) (entrou) efectivamente (?) em vigor, por via da famigerada Resolução da Assembleia da República Nº 35/2008, de 29 de Julho. Para a revogar, para a repelir, para – literalmente – a rasgar, e, assim, as pessoas deste país deixarem de ser peões de interesses que lhes são estranhos e/ou externos, de serem cobaias em duvidosas “experiências filo(i)lógicas” dirigidas por pervertidos protegidos pelo poder político, e porque não basta que Murade Murargy dê a sua “autorização”, há que assinar e concluir a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico». (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e no ILCAO.))

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 5)…

… Escritos e publicados, desde Março último, nos seguintes blogs: Apartado 53 (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete); Horas Extraordinárias (um, dois); Delito de Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis); Malomil; Corta-Fitas; Aventar; Do Portugal Profundo. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a «despromoção» do Português no Vaticano; a arrogância (por avisar o presidente da República para «cumprir a lei»), e também a cobardia (por se recusar a debater), por parte de Malaca Casteleiro; as responsabilidades – e as culpas – de bastante editoras na propagação do «acordo ortográfico de 1990», incluindo a reedição de antigas colecções e de «obras clássicas» com ortografia alterada; o debate – e o dilema – entre reformar ou eliminar o AO90; a incerteza quanto à verdadeira posição – e a eventuais futuras acções – de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente a este assunto; o insulto póstumo a Vasco Graça Moura feito pela Imprensa Nacional Casa da Moeda; porque o Diário de Notícias já não merece estar na Avenida da Liberdade; Francisco José Viegas e os «sovietes improvisados» da Escola Estatal nacional.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Ocorrência: «… Verney…» no «Delito…»

O blog Delito de Opinião, através de Pedro Correia, apresentou como a sua «Sugestão: Um livro por dia» de hoje «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», obra coordenada por mim, António Braz Teixeira e Renato Epifânio, e que contém os textos das comunicações apresentadas no congresso com a mesma designação realizado em 2013 na Biblioteca Nacional de Portugal e no colóquio realizado em 2014 na Universidade de Évora, a propósito e a pretexto dos 300 anos do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar». (Também no MILhafre.)   

segunda-feira, novembro 21, 2016

Outros: Contra o AO90 (Parte 14)

«A criação de um discurso revisionista», «Os canibais» e «Pequeno tratado da anulação das almas», Olga Rodrigues; «… Porque o que anda por aí… é uma vergonhosa maneira de escrever…», «Um vírus altamente nocivo chamado AO90…», «Ninguém para o Acordo Ortográfico de 1990», «Terá o AO90 algo a ver com o “complexo de vira-lata” brasileiro?», «”Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira”», «A história do milagre da multiplicação da língua portuguesa depois do AO90» e «Investigação sobre o AO90», Isabel A. Ferreira; «Tristes tretas», «Esperar para ver», «Intoxicação acordista “a contrario”», «”Palheta”», «”O Triunfo dos Porcos”» e «Viva», João Pedro Graça; «Reflexão do dia (uma, duas)», «Os proletários e a aristocracia do ornitorrinco ortográfico», «Os péssimos “contatos” do Conselho Económico e Social», «O país das duas ortografias», «Escritores discordam do “acordo”», «Injúria póstuma a Graça Moura» e «Quando a tolice se torna lei», Pedro Correia; «Santana Lopes ou ortografia sem dogmas», «Diga “expectativa”!», «”Contate hoje mesmo!”» e «Ana Paula Laborinho defende a morte das variantes do português», António Fernando Nabais; «Carta-Aberta ao Ministro da Educação» e «Persistir contra o Acordo Ortográfico de 90», Maria do Carmo Vieira; «Inverter Pessoa», João André; «O ministro é sereno», «Espetadores flutuantes», «Falares há muitos, dizeres também», «O leite e a lata», «Dilema legendário», «Galiza? Venha ela», «Andamos ou andámos?», «Por umas letrinhas apenas» e «O Atlas, a língua e os seus delírios», Nuno Pacheco; «As elites bem falantes ou as noções básicas de democracia», Miguel Sousa Tavares; «A reversão mais valiosa para o futuro – acabar com o Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «Professor Martelo», João Pereira Coutinho; «Um amplo debate entre os países lusófonos?», «Marcelo Rebelo de Sousa e o Acordo Ortográfico de 1990», «História dos Fatos sociais e fator issues», «O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff», «À espera de Marcelo Rebelo de Sousa» e «Contra o Orçamento de Estado para 2017», Francisco Miguel Valada; «Acordar mal», Luciano Amaral; «O Acordo e a linguiça», João Gonçalves; «O desacordo», Joana Petiz; «Aos alunos portugueses e ao actual ministro da Educação», António Carlos Cortez; «Língua portuguesa – é a hora?», António Jacinto Pascoal; «A negligência na língua e na escrita é princípio da decadência dum país», Guilherme Valente; «Contra o acordo infame», António Guerreiro; «A roleta da língua», Ana Cristina Leonardo; «Vão-se catar», Luís Menezes Leitão; «Os inventores do indefensável AO», Teolinda Gersão; «Os falsos pressupostos do Acordo Ortográfico», Filipe Zau; «Redondo (des)acordo», José Antunes de Sousa; «A nova vida da ILC», «”A ortografia também é gente”», «Habeas Lingua», «Cidadania e Língua Portuguesa» e «No domínio da opinião», Rui Valente; «Carta aberta ao PR – O acordo ortográfico do nosso descontentamento», Maria Teresa Ramalho; «Inconstitucionalidades da resolução Nº 8/2011 (AO90)», Francisco Rodrigues Rocha e Ivo Miguel Barroso; «AO90, a fórmula do desastre» e «Tudo isto é português», Fernando Venâncio; «Uma exígua conceção de cidadania», João Santos; «O injustificável acordo orto(?)gráfico», Gastão Cruz; «Juro que não é embirranço…», J. Manuel Cordeiro; «Carta aberta a um assassino da Alma Portuguesa», Pedro Barroso; «Porque sou fiel àquilo em que acredito» e «Muito obrigado à equipa da ILC», Luís de Matos; «As palavras e os(f)actos», Viriato Teles; «Curta vida ao AO é o que eu lhes desejo», Fernando Proença; «Uma ilha à deriva», Diana Guerreiro; «Um acordo que nunca o foi, um estulto alvoroço, escusado», Hugo Pinto Santos. (Também no MILhafre.)

domingo, novembro 06, 2016

Ocorrência: «Descobriu-se» uma dissertação

Ainda a tempo da celebração do décimo aniversário da edição de «Os Novos Descobrimentos», livro escrito por mim e pelo meu amigo Luís Ferreira Lopes e editado pela Almedina em 2006, fica a informação – na verdade, mais uma curiosidade – de que existe (pelo menos) mais um trabalho académico, mais uma tese universitária, que cita aquela nossa obra e a integra na sua bibliografia…
… E essa tese, mais especificamente uma dissertação de doutoramento em Sociologia, tem por título «A construção da comunidade lusófona a partir do antigo centro – Micro-comunidades e práticas da Lusofonia», e é da autoria de Cármen Liliana Ferreira Maciel, que a apresentou e defendeu em 2010 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. As menções a «Os Novos Descobrimentos» estão nas páginas: 90 - «os jornalistas Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos que alegam que, como consequência da consolidação da democracia e da (relativa) recuperação da economia, a produção cultural em língua portuguesa regista agora “uma nova dinâmica, em especial na literatura e na música. Começa-se – finalmente – a falar da guerra colonial”»; 122-123 – «Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos (2006), ambos cientistas sociais e jornalistas, que acompanham o evoluir das relações entre o antigo centro e as ex-periferias, argumentam que a ideia de tal comunidade nasce do sonho de pensadores como Agostinho da Silva ou Gilberto Freyre e seus herdeiros culturais, para amadurecer no pensamento de homens como António de Spínola (autor de “Portugal e o Futuro”, de 1974) ou Joaquim Barradas de Carvalho (autor de “Rumo de Portugal”, também de 1974)»…
… E na página 344 através de uma dupla referência na lista das obras consultadas para o trabalho. Porém, numa delas o meu nome aparece como sendo… «Octácios»! Mais uma demonstração das continuadas (e intrigantes) dificuldades que aquele continua a suscitar junto de várias pessoas… e mais uma «variante» onomástica a juntar à «lista». 

sexta-feira, outubro 28, 2016

Opinião: Sobre «Q», na Nova Águia

A mais recente edição da revista Nova Águia (Nº 18, correspondente ao segundo semestre de 2016), que teve a sua primeira apresentação no passado dia 21 de Outubro n(o auditório d)a Biblioteca Nacional de Portugal, inclui, na página 268, uma recensão ao meu livro «Q – Poemas de uma Quimera» - editado no ano passado pelo Movimento Internacional Lusófono – escrita por Mendo Castro Henriques
… Da qual transcrevo alguns excertos: «Um livro intrigado com um título intrigante, foi o que escreveu Octávio dos Santos. Intrigado, porque nele se descobre uma admiração sem fim pela pátria portuguesa, a par de uma crescente perplexidade e angústia perante a sua conjuntural situação. (…) Vai repartindo o seu amor e as suas dúvidas sobre um certo Portugal que se perfila entre tipos humanos, paisagens, situações e expectativas. (…) Retrata ou espreita avidamente a vida a acontecer, túrgida de emoções, mas sem imediato sentido, a que só a breve composição poética restitui significado num envelope literário que exprime um pensamento principal. (…) Octávio dos Santos ama o passado português. E quanto mais nele se revê, mais intrigado está com o futuro que surge ora cinzento, ora ameaçador, ora medíocre, ora negro.»
Relembro e realço que «Q – Poemas de uma Quimera» não se encontra à venda nas livrarias, podendo ser adquirido apenas através do MIL, quer por correio quer nos eventos que o Movimento regularmente realiza um pouco por todo o país. (Também no MILhafre.)

quinta-feira, outubro 20, 2016

Obituário: J. M. Paquete de Oliveira

Faleceu no passado dia 11 de Junho, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, José Manuel Paquete de Oliveira…
… Que foi um dos dois professores (entre aqueles que me deram aulas em escolas) que mais importância e influência exerceram na minha vida pessoal e profissional. No Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa tive-o não só como docente de Sociologia da Comunicação – primeiro na disciplina de introdução àquela, depois no seminário (especialização) da mesma e última fase da licenciatura, que incluiu a elaboração e a defesa de uma tese específica – mas também como colega no Conselho Directivo e em duas assembleias escolares, em anos decisivos para a expansão e o fortalecimento do ISCTE enquanto estabelecimento de ensino moderno e de referência em Portugal. Com ele confirmei a minha vocação… para a comunicação, precisamente, apesar de, durante algum tempo, me ter convencido que aquela seria concretizada na publicidade; e, de facto, realizei o estágio (por ele conseguido depois de insistência da minha parte), no âmbito do seminário, numa das empresas do grupo McCann Erickson, uma memorável experiência de três meses (e que me soube a pouco), mas o insucesso posterior em obter um emprego naquela ou em outra agência (e várias foram as que contactei nesse sentido) como que me convenceu a tentar de novo o jornalismo, no qual me iniciara no Notícias de Alverca e depois continuara no DivulgAcção, o boletim da Associação de Estudantes do ISCTE que co-fundei e que dirigi enquanto naquele permaneci.
Durante dois anos eu e Paquete de Oliveira mantivemos um convívio, e mesmo companheirismo, praticamente quotidiano. Depois, e nos últimos 25 anos, os contactos, as conversas, foram ocasionais, pontuais, e quase sempre por telefone – invariavelmente, era eu que lhe ligava, para lhe dar novidades minhas, onde estava, o que fazia, os livros que publicava, os projectos em que me envolvia. Sim, admito que fiquei desiludido, e algo magoado, devido ao pouco ou nenhum interesse que ele manifestava pelo percurso subsequente daquele que tinha sido (não duvido em afirmá-lo, e as classificações demonstram-no) um dos seus melhores alunos – uma circunstância quase de certeza resultante do conflito em que me envolvi com algumas instâncias do ISCTE no final da licenciatura, e no qual dele não recebi o apoio que esperava e que (penso que) merecia. A última vez que estive com ele foi em Março de 2013, aquando do funeral de Mário Murteira, onde fez uma intervenção marcada pela emoção, lembrando o seu amigo de tanto tempo – e que também faleceu no ano em que completaria 80 de vida, tal como, aliás, José Manuel Prostes da Fonseca, nosso colega no Conselho Directivo. E a última vez em que comunicámos foi em Março de 2015, por correio electrónico, em que esclareci o então Provedor dos Leitores do Público – o último cargo que desempenhou numa longa carreira repartida entre a universidade, a imprensa, a rádio e a televisão – sobre a causa e contexto de uma queixa de uma leitora daquele jornal relativa ao meu artigo «Apocalise abruto» (tratava-se, na verdade, de uma representante de uma das empresas «apanhadas» a usarem palavras inventadas na sequência da aplicação do AO90). Agora tranquiliza-me saber que as últimas palavras que me dirigiu foram de plena cordialidade e simpatia – e que, claro, foram correspondidas: «Desculpa a falta de formalismo como me dirijo a ti. Mas creio que seria hipócrita tratar-te sem reconhecer pessoalmente um interlocutor compassado de boas e amigas relações. Já calculava que irias aparecer, pois reconheço a tua militância convicta e activa contra o AO. Aliás, quando eu estava na RTP, falámos sobre este assunto.» 
Sobre José Manuel Paquete de Oliveira é de ler também o que escreveram Adelino Gomes, José Rebelo (este também meu professor no ISCTE e membro da equipa de Sociologia da Comunicação) e a Direcção Editorial do Público.

segunda-feira, outubro 10, 2016

Obras: «Luís António Verney…»

Na passada sexta-feira, 7 de Outubro, e tal como anteriormente anunciara, decorreu, na Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio (proposto e co-organizado por mim) «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo» - do qual já começaram a ser divulgadas imagens (e ao qual faltaram, da lista de oradores previstos, José Carlos Seabra Pereira e Manuel Ferreira Patrício). Expresso, como em prévias e semelhantes ocasiões, o meu obrigado a todos os que participaram, tanto na mesa como na assistência do auditório da BNP, neste evento, que encerrou com a «estreia», o lançamento daquele que é igualmente o meu novo livro…
… Intitulado «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», editado pelo Movimento Internacional Lusófono (em parceria com a DG Edições, a mesma de «Q - Poemas de uma Quimera») e que reúne os textos das comunicações apresentadas, não só no congresso com a mesma designação, realizado, igualmente na BNP, a 16, 17 e 18 de Setembro de 2013 (ano em que se celebraram os 300 do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar»), mas também as no colóquio «No Tricentenário de Luís António Verney», realizado na Universidade de Évora a 20 e 21 de Março de 2014. Após um demorado e cuidado processo de preparação e de revisão, eis a obra, com 36 autores, incluindo os coordenadores (co-organizadores) António Braz Teixeira, Renato Epifânio… e eu próprio, e ainda Ana Maria Moog, António Cândido Franco, Armando Martins, Augusto dos Santos Fitas, Francisco António Vaz, Duarte Ivo Cruz, Helena Nadal Sánchez, Jesué Pinharanda Gomes, Joaquim Domingues, João Príncipe, Jorge Teixeira da Cunha, José Eduardo Franco, José Gama, Luís Lóia, Luís Manuel Bernardo, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício, Margarida Amoedo, Maria de Fátima Nunes, Maria do Céu Fonseca, Maria Manuela Martins, Mário Vieira de Carvalho, Marta Mendonça, Miguel Corrêa Monteiro, Miguel Real, Paulo Ferreira da Cunha, Pedro Martins, Rodrigo Sobral Cunha, Rui de Figueiredo Marcos, Samuel Dimas…
… e Helena Murteira e Maria Alexandra Gago da Câmara, minhas colegas no projecto Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755, e cujas intervenções reflectiram as investigações que temos vindo a efectuar naquele. Enfim, o certo é que, mais de dez anos depois, o meu romance «Espíritos das Luzes», tão incompreendido - e invectivado – por alguns, continua a dar (bons) frutos. (Também no Ópera do Tejo.   

sábado, outubro 01, 2016

Orientação: SS com 550!

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Música, o que significa também, no sítio da Simetria, a publicação de uma nova edição do projecto Simetria Sonora. E, tal como em edições anteriores, a esta grande lista foram adicionados 50 discos por mim considerados de ficção científica e de fantástico: são agora 550. Ilustra a de 2016 a imagem da capa de «Electric Ladyland», de Jimi Hendrix, lançado originalmente em 1968. A ouvir… e a descobrir. Tudo, e sempre!  

terça-feira, setembro 27, 2016

Outro(s): Que não aprende(m)…

… Apesar de, ironicamente, ser(em) professor(es): não satisfeito, aparentemente, pela «lição» que lhe dei em Junho, um suposto docente – que, indecentemente, advoga (a brincar? A sério?) a destruição de livros – voltou a demonstrar as suas insuficiências… didácticas e pedagógicas, e fê-lo com erros e mentiras – é ler, mesmo no final, «a pior leitura do ano». «Compassivo», concedi-lhe mais um, e breve, esclarecimento. Será suficiente desta vez? A ver vamos…
(Adenda - ... Já vi(mos), e não foi suficiente. A pessoa em causa decidiu reagir... algo frouxamente, e levou com outra curta «lição». Entretanto, em outro texto, num outro sítio, o mesmo indivíduo voltou a exibir a sua ignorância. Em ambos os casos, e depois de «apanhado», comportou-se novamente do mesmo modo - com imaturidade, com dichotes que, apesar de se pretenderem espirituosos, mais não são do que constrangedores. É curioso como há quem não consiga entender, e que se espante, que outros se recusem a «comer e calar».)

quarta-feira, setembro 21, 2016

Orientação: Sobre o Islão, no Público

Na edição de hoje (Nº 9654) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «O problema está, é, (n)o Islão». Um excerto: «O cenário já se tornou rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e em todo o Mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a “extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico… que justifica a “islamofobia”.»

sexta-feira, setembro 16, 2016

Organização: Agora também na Amazon (es)

Em resultado de um acordo de representação internacional que assinou com a distribuidora Arnoia e que anunciou a 10 de Agosto, a Fronteira do Caos tem agora todo o seu catálogo disponível na Amazon espanhola. O que significa, obviamente, que também «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» e «Mensageiros das Estrelas – Antologia de Contos de Ficção Científica e Fantástico» passaram a estar acessíveis para venda através da filial no país vizinho da empresa criada por Jeff Bezos. 

quarta-feira, setembro 07, 2016

Oráculo: Evocar FMdM, na BNP

De hoje a exactamente um mês, a 7 de Outubro próximo, decorrerá, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo». É mais uma organização do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, do Movimento Internacional Lusófono e da revista Nova Águia, segundo e seguindo uma sugestão e uma iniciativa minhas, na sequência dos eventos similares (assentes em efemérides significativas) dedicados a Luís António Verney em 2013 (aquando dos 300 anos do nascimento) e a Afonso de Albuquerque em 2015 (aquando dos 500 anos da morte).
O homenageado em 2016 é um dos maiores nomes do Barroco português e peninsular. Nascido em 1608 tal como António Vieira, Francisco Manuel de Melo foi aventureiro, escritor, militar e político, e, à semelhança do padre jesuíta, desempenhou missões diplomáticas a favor do restaurado Reino de Portugal. Entre as suas obras destacam-se «Apólogos Dialogais», «Carta de Guia de Casados» e «O Fidalgo Aprendiz». Em 2008, aquando dos 400 anos do nascimento de ambos, o autor de «Sermões» recebeu um muito maior (na verdade, avassalador), e previsível, destaque do que o autor de «Epanáforas», facto que este evento procura agora, de certa forma – e insuficientemente – compensar.
A lista de oradores do colóquio inclui os nomes de Ana Paula Banza, António Braz Teixeira, Deana Barroqueiro, Duarte Ivo Cruz, Jesué Pinharanda Gomes, José Carlos Seabra Pereira, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício e Teresa Amado.   

quarta-feira, agosto 31, 2016

Olhos e Orelhas: Segundo Quadrimestre de 2016

A literatura: «Histórias da Terra e do Mar», Sophia de Mello Breyner Andresen; «Uma Voz na Revolução», Francisco de Sousa Tavares; «Os Simulacros», Philip K. Dick; «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», António de Macedo; «Estratégia dos Deuses», Erich Von Daniken; «Editor Contra - Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite», Pedro Piedade Marques; «O Nascimento da Tragédia», Friedrich Nietzsche; «A Encomendação das Almas», João Aguiar; «Procurado», J. G. Jones, Mark Millar e Paul Mounts.
A música: «Concerto Em Lisboa», Mariza; «The Real... 1941-1956 The Ultimate Collection», Frank Sinatra; «From Elvis In Memphis» e «Elvis Country (I'm 10000 Years Old)», Elvis Presley; «Art Official Age», Prince; «Off The Wall», Michael Jackson; «Outlandos D'Amour» e «Zenyatta Mondatta», Police; «25», Adele; «A Portrait Of...», Duke Ellington; «Lumpy Gravy» e «We're Only In It For The Money», Frank Zappa; «A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse», Faces; «Os Sobreviventes», «Era Uma Vez Um Rapaz» e «Rivolitz - O Melhor de... Ao Vivo 2», Sérgio Godinho; «Also Sprach Zarathustra» (pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Gustavo Dudamel), Richard Strauss.
O cinema: «Cinderella», Kenneth Branagh; «Hotel Transilvânia 2», Genndy Tartakovsky; «Guia de Finais Felizes», David O. Russell; «O Marciano», Ridley Scott; «Célere», Ron Howard; «Capitão Falcão», João Leitão; «Procurando o Homem do Açúcar», Malik Bendjelloul; «Castelo no Céu», Hayao Miyazaki; «O Artista», Michel Hazanavicius; «Agora Tu Vês-me», Louis Leterrier; «Da Rússia com Amor», Terence Young; «A Vida Secreta de Walter Mitty», Ben Stiller; «Esse é o Meu Rapaz», Sean Anders; «Zootopia», Byron Howard e Rich Moore; «Hércules», Brett Ratner; «Chefe», Jon Favreau; «Sob a Pele», Jonathan Glazer; «Missão: Impossível - Protocolo Fantasma», Brad Bird; «Missão: Impossível - Nação Revolta», Christopher McQuarrie; «E Assim Vai Indo», Rob Reiner; «Panda do Kung-Fu 3», Alessandro Carloni e Jennifer Yuh Nelson; «Ronaldo», Anthony Wonke; «Deadpool», Tim Miller; «Morto e Meio», Don Michael Paul; «Surripia», Guy Ritchie; «Astérix e Obélix ao Serviço de Sua Majestade», Laurent Tirard; «Bronco Billy», Clint Eastwood. 
E ainda...: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira - «CartoonXira 2016 - Cartoons do ano 2015 (António, Bandeira, Brito, Carrilho, Cid, Cristina, Gargalo, Gonçalves, Maia, Monteiro, Rodrigo)/ 25 anos de desenhos 1990-2015 (Cécile Bertrand)» (Celeiro da Patriarcal) + 5º Salão de Automóveis e Motociclos Clássicos de Vila Franca de Xira (Pavilhão Multiusos); «We're sorry, Harry Kane» (anúncio publicitário do Licor Beirão); Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - 86ª Feira do Livro de Lisboa; FNAC - exposição de fotografias de Jacques Van Wijlick «EVOA - Descubra o lado selvagem do Estuário do Tejo» (Vasco da Gama) + exposição de fotografias de Tiago Mota Garcia «Espelho Nosso» (Chiado); Museu do Neo-Realismo - exposição «Passageiro Clandestino Mário Dionísio 100 Anos» + exposição «Os Ciclos do Arroz»; Iron Maiden - «The Book of Souls World Tour 2016» - Meo Arena, 2016/7/11 (primeira parte, The Raven Age); Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «A saltar do livro - Livros pop-up» + exposição «"Livro do Desassossego - Desenhos de Sílvia Hestnes Ferreira» + exposição «Nascimento - De mar a mar, uma odisseia editorial» + exposição «Mário de Sá Carneiro, "o homem são louco"» + mostra «Horticultura para todos» + mostra «Ferreira de Castro - 100 anos de vida literária» + mostra «Timor-Portugal - Ontem e hoje»; «Daddy», (vídeo musical de) Psy; «O Círculo de Bletchley», Guy Burt; Museu da Lourinhã; «Nós somos os super-humanos» (anúncio da participação do Reino Unido nos Jogos Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro).  

domingo, agosto 21, 2016

Outros: Elogios a «Poemas»

Agosto já constitui para mim, e há pelo menos sete anos, também o «mês de Alfred Tennyson». Nascido a 6 (de 1809) e chegado a 25 (de 1859) para uma visita a Portugal, é em pleno Verão que eu procuro e, quando elas existem, divulgo, novidades interessantes relativas àquele escritor e/ou ao livro com traduções minhas de poemas seus editado em 2009. Desta vez reproduzo (devidamente corrigidos) comentários que encontrei recentemente na página do sítio Wook dedicada àquela obra.
Um, feito em Março de 2014, é de Tiago Silva: «Trata-se de um exemplo de uma boa sele(c)ção de poemas de um grande poeta da Inglaterra Vi(c)toriana. Dois, feitos em 2016 (um em Julho, outro em Agosto), são de Valdenir Pessôa: «Sem (sombra) de dúvida um dos melhores poetas românticos da era vi(c)toriana, Alfred Tennyson sobressai em relação aos outros autores, principalmente com (a) sua obra “Idílios do Rei”, o poema que faz justiça ao mítico rei Arthur. Essa cole(c)tânea de poemas é a única (que eu saiba) publicada em língua portuguesa e a sele(c)ção (é) extraordinariamente bem elabora(da). Parabéns!»; «Já havia comentado antes da leitura pelo fa(c)to de ser(em) poemas de Tennyson. Mas ao ler os poemas, deparei-me com o que há de melhor na poesia romântica inglesa no período. Poemas cheios de magia, subje(c)tivismo e, como não, romantismo que afe(c)ta o sentimento de quem os lê. Excelente!»
É de referir que na página mencionada não constava uma imagem da capa do livro; porém, e após ter enviado uma mensagem de correio electrónico com uma em anexo, essa lacuna foi entretanto colmatada. 

sábado, agosto 13, 2016

Orientação: Sobre «moedas de prata», no Público

Na edição de hoje (Nº 9615) do jornal Público, e na página 53, está o meu artigo «Casa da(s) Moeda(s) de prata». Um excerto: «É, pois, uma tremenda ofensa póstuma ao homem que foi presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, embora seja expectável, e até “compreensível”, por as entidades públicas e/ou sob tutela estatal, como é o caso da INCM, estarem “obrigadas” a utilizar esta “ortografia” pervertida criada por pervertidos. Na verdade, mesmo grave, e pior do que o regulamento, seria que a obra vencedora do Prémio Vasco Graça Moura fosse escrita e/ou publicada obedecendo ao ascoroso “acordês” que o deputado europeu (entre 1999 e 2009) abominava. Seria inimaginável!» (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53. Referência no Linguagista e no Delito de Opinião.)

quarta-feira, agosto 03, 2016

Opções: Pela Praça do Império

Já assinei a petição «Preservar a Praça do Império é defender a Portugalidade», promovida pelo Nova Portugalidade, um grupo de cidadãos que tem como objectivo da sua actividade «o estudo, promoção e defesa do património material e espiritual da Portugalidade». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta e que explica a iniciativa: «(…) Os canteiros floridos da Praça do Império são, pese embora o desprezo que lhes parecem votar alguns espíritos menos avisados, um símbolo vivo, actual, da viva e actual globalização portuguesa. Representam-se ali, com os seus brasões de armas, os pedaços de Portugalidade que mais longamente se mantiveram ligados entre si; hoje, o jardim é testemunho forte de uma aventura colectiva que marcou o nosso passado e pode bem determinar o nosso futuro. (…) Não pode existir argumento financeiro, estético ou histórico que concorra para a destruição de algo tão belo e pleno de significado. Se avançar com o projecto de requalificação agora aprovado para a Praça do Império, a CML cometerá um crime contra Lisboa, o património nacional e a profunda amizade que mantemos com os povos da Portugalidade. Mais, tratar-se-ia de um crime contra a História e, portanto, contra o próprio país. (…)»
O tema, este texto e as expressões nele utilizadas como que ecoam outra petição, que subscrevi em 2013, e que também incidia sobre um elemento do património de Lisboa em risco – o cinema Odéon. Então escrevi: «Aparentemente, e infelizmente, o meu (modesto) apoio, tal como o de outros, não deverá ser suficiente para evitar a demolição. Que, a concretizar-se, será mais um crime contra o património nacional – não só da capital – cometido, ou permitido, pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo seu actual presidente e pela sua equipa.» O «actual presidente» então referido é agora primeiro-ministro… e um dos elementos da sua equipa é agora edil da capital. Que, como que querendo mostrar ser um «digno» sucessor, prossegue igualmente a «política» de sacrificar a funcionalidade à estética (e os automobilistas aos ciclistas), da Avenida da Liberdade à da República. Para alguns as batalhas ideológicas estendem-se à relva dos jardins e ao alcatrão das vias. (Também no MILhafre.

terça-feira, julho 26, 2016

Orientação: Sobre o povo, no Público

Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E porque não?» (Também no MILhafre.)

domingo, julho 17, 2016

Ocorrência: 10 anos d’«Os Novos Descobrimentos»

Foi há precisamente 10 anos – a 17 de Julho de 2006 – que eu e Luís Ferreira Lopes fizemos a primeira apresentação do nosso livro «Os Novos Descobrimentos – Do Império à CPLP: Ensaios sobre História, Política, Economia e Cultura Lusófonas». A data não foi escolhida ao acaso: então assinalava-se o décimo aniversário da criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa… e hoje «comemora-se» o seu vigésimo aniversário.  
O lançamento decorreu na Livraria Almedina (esta também a editora da obra) do (centro comercial) Atrium Saldanha, em Lisboa. Contámos, na mesa, com as presenças – que muito nos honraram – de Adriano Moreira, Carlos Pinto Coelho (entretanto falecido), Manuel Ennes Ferreira e Nicolau Santos, que não só falaram do livro e dos temas que ele aborda(va) como também aproveitaram a ocasião para, com os autores, fazerem uma retrospectiva do que tinham sido os primeiros dez anos da existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – algo que então não foi reconhecido por um certo comentador que, este ano, foi eleito para um muito importante cargo político.
Porém, os defeitos e as insuficiências detectadas na actuação da CPLP na sua década inicial são, em meu entender, insignificantes perante o que aconteceu na seguinte – mais concretamente, a implementação do «Acordo Ortográfico de 1990» e a admissão da Guiné Equatorial, pais onde vigora um regime ditatorial, como membro efectivo; a esperança inicial transformou-se em desilusão posterior, pelo que pouco ou nada há, da minha parte, para celebrar. (Também no MILhafre.      

segunda-feira, julho 11, 2016

Observação: Não, não acreditava…

… E, afinal, não se pode negar que eu (à semelhança de muitos outros) tinha bastantes motivos para isso: as decepções que também sofri em 1984, em 1986, 1996, 2000, 2002, e, já com comentários, em 2004, (não em) 2006 (porque provavelmente estava a preparar a edição de um livro, que, sim, evocarei em breve a propósito do seu décimo aniversário), 2008, 2010, 2012 e 2014. Como honestamente, racionalmente, esperar que, depois de aquela que foi possivelmente a melhor selecção portuguesa de sempre ter perdido em Lisboa uma final contra a… Grécia, uma outra de (aparentemente) menor valor iria vencer a França em… Paris? E quando, ainda antes dos dez minutos de jogo, Cristiano foi – não duvido de que deliberadamente, premeditadamente – lesionado e, depois, forçado a abandonar o campo, parecia que a aziaga «tradição» se confirmaria e repetiria…
… Porém, e finalmente, este «fado do futebol» desfez-se: Portugal conseguiu, mesmo, conquistar o Campeonato da Europa de Futebol (sénior, depois de tantos títulos nas camadas juniores). Talvez por as prioridades terem passado a ser outras. Como escrevi aqui, «qual é o problema de eventualmente “ser(e)mos execrados por milhões em todo o mundo a rezarem pelo nosso justo esmagamento” por sermos, supostamente, “a mais negra e ronhosa das ovelhas de que haverá memória em torneios futebolísticos”? Os incomodados que se lixem com “F” grande! Farto estou eu de gostarem de nós enquanto (e apenas) crónicos derrotados. Farto estou eu de derrotas. Portanto, que os jogadores da selecção triunfem, mesmo que com mais empates no tempo regulamentar, mais prolongamentos e mais decisões nas grandes penalidades. Que tragam a taça.» E trouxeram mesmo.
Nestes festejos, nestas celebrações, nesta alegria avassaladora que enfim chega com tantos anos de atraso – e em 2016 assinalam-se 50 desde a campanha dos «Magriços» de Eusébio em Inglaterra – há no entanto um aspecto que me desagrada, que me desilude, que me indigna: por culpa de pervertidos, de criminosos, de tiranos, antigos e modernos, a selecção é por muitos escrita sem «c» e veste-se, tal como o país, com as cores de uma bandeira da infâmia – não a verdadeira de Portugal, nunca é de mais repetir, mas sim a de uma associação de terroristas. Todavia, pelo menos desta vez, a repulsa não se sobreporá à felicidade. (Também no MILhafre.)

terça-feira, julho 05, 2016

Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…

… Meu e de tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25 anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas também cívico, o mais jovem. Um abraço! (Também no MILhafre e no Simetria.

quinta-feira, junho 23, 2016

Observação: Uma questão de escala

No passado dia 12 registei a existência de (mais) uma recente recensão ao meu livro «Espíritos das Luzes», escrita e publicada cinco dias antes por Artur Coelho no seu blog Intergalactic Robot. E prometi para breve uma resposta. Pois bem, ela aqui está…
… E começo por reproduzir e destacar dessa recensão os elogios de âmbito geral, e até específico, àquela minha obra, que são vários: «Este livro assenta sobre aquilo que, de forma muito óbvia, foi uma forte investigação sobre a época. A bibliografia e discografia que o encerra é (são) muito interessante(s). Pega num momento marcante da história portuguesa e especula num misto de fantástico com Ficção Científica. Recupera na memória do leitor grandes vultos da cultura e política da época iluminista. Consegue invocar, ao longo dos capítulos, uma curiosa estética, misto da iconografia barroca com high tech. (…) Até me encantou (…) a curiosa cosmogonia do universo ficcional deste devaneio cyber-barroco. Octávio dos Santos imagina os países da Europa setecentista como planetas, interligados por vias galácticas sulcadas por passarolas. Confesso que é uma visão que me atrai, a recordar ilustrações novecentistas do sistema solar enquanto esferas nas mãos de malabaristas, invocando imagens de uma Lisboa barroca com passarolas gigantes suspensas nos céus. Tem o seu quê de fantasia mágica. (…) No meio de tudo isto, há uma história, um fio condutor que até tem interesse. Nesta Lisboa alternativa, o terremoto provocou uma fissura no espaço-tempo que mostra um vislumbre de uma outra Lisboa, arrasada pelo tremor de terra, onde as passarolas nunca voaram. (…) Na vertente périplo, consegue pontos de interesse, na recriação da Ópera do Tejo ou no infame capítulo onde a sensualidade mordaz da poesia de Bocage é explorada num boudoir subterrâneo do Café (Clube) Nicola. Um capítulo divertido na sua perversão e sanidade mental questionável, que merece ser lido. A sério, atrevam-se.»
Porém, a classificação final dada por Artur Coelho ao meu livro, revelada no GoodReads, foi, algo inesperada e contraditoriamente, de duas em cinco estrelas – aliás, foi aumentada, pois antes chegou a ser de uma! E qual foi a avaliação final, resumida, correspondente àquela reduzida («negativa») classificação? «Falha redondamente». E porquê? «Archizero» afirma que «Espíritos das Luzes» se «perde nas inconsistências». E quais são essas supostas «inconsistências»?
Uma será a própria designação que faço da minha obra enquanto «ficção científica»… embora para Artur Coelho não o seja, porque a FC é um «campo que exige todo um outro tipo de construção de mundo ficcional, mais assente em pressupostos rigorosos do que num imaginário solto mais próximo da fantasia.» Desde quando é que é obrigatório que na ficção científica existam sempre «pressupostos rigorosos»? E em que consistem exactamente esses pressupostos? Em explicar detalhadamente como se chegou à concepção de determinados métodos e técnicas de transporte, comunicação, trabalho e entretenimento, de determinados sistemas de organização política, social e económica? Quanto mais «próxima» de nós está a FC em causa, mais esse rigor, concordo, deve existir; porém, «Espíritos...» desenrola-se numa dimensão espaço-temporal alternativa, em que naquela os países que conhecemos são planetas! Maior «falta de rigor» inicial é impossível, ou pelo menos muito difícil. No mesmo sentido vai a «queixa» de que «elementos tecnológicos no livro, que aparecem sem contextualização, dando a sensação que estão lá só porque sim, porque pareceu bem meter nanotecnologia dentro de uma paisagem barroca ou autómatos a reconstruir a Ópera do Tejo». De certeza de que são «sem contextualização»? Olhe que não… esses elementos aparecem quando são necessários e não aleatoriamente. Será o Artur capaz de «jurar» que em outras obras de FC, incluindo muitas das «clássicas», das «consensuais», não existem por vezes elementos tecnológicos sem «contextualização» e «pressupostos rigorosos»?
Outra «inconsistência», ou «dissonância», «que torna esta leitura mais penosa é aquele(a) que prometia ser o(a) mais interessante»: a utilização, como diálogos, de «discursos» - enfim, textos autênticos – das personagens históricas introduzidas e «transformadas» (expressão minha) na narrativa; mas, atenção, não é esse recurso em si o problema para Artur Coelho mas sim a alegada «propensão do autor a despejar parágrafos e páginas inteiras dos escritos originais.» Poderá ser difícil a AC, e a outros, acreditar, mas o que lhe(s) parece «despejo» foi, e é, na verdade uma selecção cuidadosa, ponderada, com conta, peso e medida, e sempre adequada às diferentes «situações» que imaginei. Não, obviamente que nem todas as citações ocupam uma página. Mas, sim, algumas são longas, e isso foi deliberado, intencional; são densas e até mesmo desequilibrad(or)as, mas tal faz parte da estética da obra, porque replicam, reproduzem, os próprios excessos da época e das personagens que eu revisito e reformulo. «Archizero» parece admitir que «perde(u) logo o fio à meada». Sim, isso é um problema… mas dele, não meu. Seria de esperar que alguém que já leu tanto – incluindo bastantes livros de índole tecnológica – conseguisse aguentar, e sem se «perder», umas passagens mais compridas e que lidam com temas que não se podem exactamente considerar complexos.
Enfim, a única «inconsistência» explicitamente indicada por Artur Coelho refere-se às «escalas» (distâncias) que «não são consistentes ao longo da narração». E porquê? Porque «umas vezes estão expressas, outras não». No entanto, e obviamente, não há qualquer «inconsistência» por eu não estar sempre a fazer, e a mostrar, «contas», números de quilómetros, ou outro tipo de medição; haveria, sim, se eu me enganasse, se eu desse valores numa certa instância que estivessem em contradição com os de outra. Todavia, e muito, muito mais significativa, é a confissão feita por AC de que «não consegue conceber uma distância de dezenas de quilómetros do Terreiro do Paço ao Palácio Foz.» Sim, isso é outro problema… mas também dele, não meu. Eu tanto consigo conceber… que concebi mesmo. E eu sou lisboeta! Uma Lisboa «pequena», como a que existe na realidade, num «planeta Portugal» é que seria (muito) «inconsistente». Logo, é indiscutível que «o imaginar de Lisboa como um espaço imenso, com as distâncias ampliadas em mega escalas, é outro elemento que também»… funciona. 
O principal problema - não meu, logicamente – está precisamente nisto: o de que há quem queira e consiga… conceber, e há quem não queira nem consiga. Paciência! Efectivamente, tudo se resumirá a uma questão de escala… pessoal, e não só. É por isso que uns criam e outros… criticam. E, porque muitos deles (a maioria) não têm essa experiência, essa faceta, de criadores, os críticos mais facilmente – e levianamente – desvalorizam e até desprezam o que aqueles, tantas vezes com elevados sacrifícios pessoais, fazem. Assim, nesse sentido, se por um lado devo congratular Artur Coelho por ter lido o meu livro na íntegra antes de opinar (algo deficientemente, é certo) sobre ele, por outro lado devo, ainda mais veementemente, condená-lo por – reincidindo num lamentável procedimento que eu, em ocasiões anteriores (com outras obras e outros autores), já lhe censurara – se permite armar em «spoiler» e revelar o final, o desenlace, daquele. Para tal ele dá a «justificação» (?) de que «não estou preocupado porque ao que parece nenhum leitor chega ao fim deste livro» - tanto mais insólita porque ele próprio chegou ao fim, e, obviamente, antes dele, e por mais incrível que isso possa parecer, outros também chegaram. Entre os quais, nomeadamente, este português e este inglês.
Esta atitude – indigna, não é de mais salientá-lo – de desrespeito por parte de Artur Coelho, à semelhança do seu derradeiro e desfavorável «veredicto» dado a «Espíritos das Luzes», acontecem fundamentalmente, acredito, por «group think», por «peer pressure»: AC refere «outros leitores deste livro, que (…) detestaram a curiosa cosmogonia» patente na minha obra, e admite que «gostaria de ter chegado ao final desta leitura com uma opinião contrária às que tenho ouvido sobre esta obra. Infelizmente, não consigo.» Não consegue… ou não quer? Quem são esses «outros que detestaram», que fazem com que o capítulo sexto seja «infame», e que «Archizero» tanto respeita – ou receia – a ponto de as opiniões deles ouvidas anularem os «elementos intrigantes» que encontrou? É pouco provável que os identifique ou que eles próprios se assumam… embora eu talvez fosse capaz de adivinhar quem são. De uma coisa pelo menos eu tenho a certeza quanto a essas «luminárias»: nunca até hoje secundaram a posição que eu enuncio e demonstro no meu artigo «A nostalgia da quimera», publicado há quase cinco anos, de que «o fantástico é o género dominante na literatura portuguesa». Preferem, aparentemente, continuar a ser membros de uma espécie de «Portugal dos Pequenitos da FC & F», conformados por estarem confinados a um sub-género que reconhecem (mas eu não) como inferior, se não por palavras, então por (falta de) actos. «Espíritos das Luzes» é a expressão, na ficção, daquela minha reflexão e da crença que a anima: imagina um Portugal grande, maior (um planeta!), e, logo, uma Lisboa grande, maior; e, sim, isso também pode implicar citações, e parágrafos, grandes, maiores.   
Não é de agora – aliás, e infelizmente, há uma antiga e funesta «tradição» disso – que a originalidade e até a radicalidade de certas obras sejam confundidas com a sua (suposta falta de) qualidade, e que na sequência disso sejam rejeitadas inicialmente. Acredito que «Espíritos das Luzes» se encontra nessa categoria. Porém, leitores, «críticos», editores, já há muito que deveriam ter aprendido com os exemplos e com as lições do passado para não continuarem a cometer os mesmos erros de avaliação e de decisão no presente. Quantas vezes aconteceu, ao longo da história cultural em geral, e literária em especial, que a «bizarria» de ontem (hoje) é a genialidade de hoje (amanhã)? Só por isso deveriam ter mais cuidado, não vá dar-se o caso de, depois, arrependerem-se amargamente… por os seus «retratos» para a posteridade não se revelarem, afinal, os mais favoráveis. (Também no Simetria.)