quinta-feira, agosto 17, 2017

Opinião: Sobre «Nautas», no Público

Em artigo publicado hoje no Público intitulado «Por mares cada vez mais navegados», Nuno Pacheco escreve sobre o meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» (editado neste ano de 2017 pelo Movimento Internacional Lusófono quando se celebram os 20 anos da edição do «Livro Verde para a Sociedade da Informação) e o que acontecia (ou não) há duas décadas em termos de modernização tecnológica. Um excerto: «Os textos coligidos nas suas páginas (três dos quais foram distinguidos no Prémio de Jornalismo Sociedade da Informação) fazem uma leitura atenta e crítica desses tempos, à medida dos seus próprios passos. E não se julgue que Portugal andou atrasado nestas matérias, como muita gente pensará. (…) Logo no primeiro texto do livro enumera-se o muito que estava em curso na ciência, na saúde, na educação, na cultura, na banca, nos transportes, no fisco (o modelo 2 do IRS já podia ser preenchido pela net desde 1996), na justiça (a Alta Autoridade Contra a Corrupção armazenara em discos ópticos, entregando-os na Torre do Tombo, todo o seu arquivo), nas comunicações, nas empresas. E ao longo dos restantes artigos e páginas seguimos o que se erguia ou até caía (exemplar é o caso do Terràvista) no irreversível caminho da navegação global, que tudo inevitavelmente atinge.» (Também no MILhafre.)
  

quarta-feira, julho 19, 2017

Orientação: Sobre mulheres e armas, no DdO

A convite do Delito de Opinião, e nomeadamente de Pedro Correia, escrevi, e foi hoje publicado naquele blog no âmbito da sua rubrica «Convidados», o texto «Mulheres de(s)arma(da)s». Um excerto: «Esta maré de matança misógina não é, não tem de ser, um fenómeno fatal, "natural", inevitável. Há soluções, respostas, para o problema. No entanto, são um pouco "radicais"… para um país que "progressivamente" se tornou demasiado contemporizador para com a criminalidade, chegando ao cúmulo de ter como pena máxima 25 anos de prisão… independentemente do número de homicídios que se cometa – o castigo é idêntico, quer se mate um, dez, cem ou mil!» Agradeço ao DdO e a PC a generosa e honrosa oportunidade. (Também no MILhafre.)

terça-feira, julho 04, 2017

Ordem: Deponham também a República!

Amanhã, 5 de Julho de 2017, está prevista a realização, em Lisboa, de uma manifestação de oficiais do Exército nacional. Motivo? Protestar contra a exoneração de cinco comandantes de unidade, anunciada no dia 1 por Rovisco Duarte, chefe do Estado-Maior do Exército – uma decisão tomada na sequência do roubo, ocorrido no final de Junho último, de armamento de guerra no paiol do Aeródromo Militar de Tancos.
Lê-se na mensagem de correio electrónico que serve de convocatória da iniciativa: «Estão em causa valores e o bom nome de vários dos nossos camaradas, arrastados pela lama por chefes militares que há muito já deveriam ter sido demitidos. (…) Os princípios e valores que nortearam a Instituição Exército, e nos quais fomos forjados, correm hoje sérios riscos, numa sociedade sem norte, à beira do inaceitável, onde a indignidade, a desonestidade e a incompetência são ameaçadoras moléstias em período de forte contágio. Ignorar sofrimentos, princípios de generosidade e de solidariedade, de dignidade e de honra, não é um procedimento certo!» Os manifestantes deverão concentrar-se a partir das 11.30 em frente ao Monumento aos Mortos, perto da Torre de Belém, e depois seguir em marcha silenciosa até ao Palácio de Belém. Aí, na residência oficial do Presidente da República, que é o comandante supremo das Forças Armadas, os oficiais presentes deverão depor simbolicamente as suas espadas.
Deixo, mais do que uma sugestão, um apelo, não só aos militares que irão participar no protesto mas também a todos os outros que, não podendo deslocar-se à capital, estarão à distância e em espírito com os seus colegas: aproveitem a ocasião e, além das espadas, deponham também a República! Sem utiizarem as armas, mas invocando a força dessas mesmas armas. Comuniquem ao actual locatário do casarão cor-de-rosa, e, através dele, a todos os que ocupam cargos de eleição e/ou de nomeação política, que estão demitidos, removidos dos cargos, corridos das suas posições de poder. Que o corrente regime acabou. Que se fará uma renovação, uma nova revolução, a restauração da Monarquia, único regime legítimo em Portugal. Porque, depois de décadas – mais de um século! – de irresponsabilidade e de corrupção, com custos inúteis e inglórios de tantas vidas, é tempo de dizer «basta!», precisamente, porque estamos «numa sociedade sem norte, à beira do inaceitável, onde a indignidade, a desonestidade e a incompetência são ameaçadoras moléstias em período de forte contágio»…
… Ameaçadoras moléstias, mais uma vez, que não são de agora, e que têm afectado tanto a comunidade civil como a castrense. Nesta terceira república, como agora se vê, militares são feitos bodes expiatórios - «carne para canhão» figurada – de erros de que o actual governo, e os anteriores, são culpados. Na segunda república, militares foram feitos «carne para canhão» literal numa guerra colonial em África. Na primeira república, militares foram feitos «carne para canhão» literal numa guerra mundial na Europa. Constantemente, consecutivamente, usados e abusados por reles «estadistas» que desconhecem o que é a autêntica ética, que fidelidade lhes devem os militares? Nenhuma…
… E, deposta a República pela desautorização definitiva do cessante presidente da mesma, que a seguir seja arriada, no Palácio de Belém, a infame bandeira verde e vermelha, estandarte de assassinos, criminosos e terroristas, e que seja pisada pelos pés de verdadeiros patriotas. Que tal seja um prelúdio a que os milhares de outras existentes, que conspurcam tantos pontos deste país, sejam igualmente retiradas e destruídas, de preferência empilhadas e queimadas até ficarem reduzidas a cinzas. (Também no Monarquia-Lisboa.

quinta-feira, junho 29, 2017

Obrigado: Aos que compareceram…

… Ontem, na sala Antão de Almada do Palácio da Independência, em Lisboa, para a segunda apresentação do meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal». Permitam-me destacar e agradecer, em especial, a presença e a intervenção de Luís Vidigal, actual Presidente da Direcção da Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, e que também contribuíu para a redacção do «Livro Verde para a Sociedade da Informação», trabalho cujo 20º aniversário se celebra este ano, e que motivou, por sua vez, a publicação, agora, desta minha obra.   

terça-feira, junho 13, 2017

Oráculo: A 28 de Junho, no Palácio…

… Da Independência em Lisboa (ao lado do Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio), na sala Antão de Almada, será feita uma segunda sessão de apresentação do meu novo livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal», publicado neste ano de 2017 pelo Movimento Internacional Lusófono com o apoio da DG Edições. Em simultâneo, e tal como, de certa forma, já havia ocorrido na primeira apresentação, realizada no ISCTE-IUL no passado dia 2, proceder-se-à a um debate sobre o tema «”Livro Verde”, 20 anos depois – O que falta fazer na Sociedade da Informação em Portugal?», com a participação de José Dias Coelho e de Luís Vidigal, respectivamente anterior e actual Presidente da Direcção da Associação Para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, que se juntarão na mesa a mim e a Renato Epifânio, Presidente da Direcção do MIL. (Referência no sítio da APDSI e no Portugal-SI.)      

sábado, junho 03, 2017

Obrigado: Aos que compareceram…

Ontem, na sala (auditório) C1.04 do Edifício II do ISCTE-IUL, em Lisboa, para a apresentação do meu livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal». Permitam-me destacar e agradecer, em especial, as presenças – e as intervenções – de José Dias Coelho e de Manuel Lopes Rocha, que contribuíram para a redacção do «Livro Verde para a Sociedade da Informação», trabalho cujo 20º aniversário se celebra este ano, e que motivou, por sua vez, a publicação, agora, desta minha obra. Também mostro a minha gratidão, mais uma (a terceira) vez, a Renato Epifânio, pelo Movimento Internacional Lusófono, e a Daniel Gouveia, pela DG Edições, por tornarem possível, em papel, um projecto meu. E, «último mas não o menos» (bem pelo contrário), deixo o meu «muito, muito obrigado» a Vasco Matos Trigo, pelo inexcedível apoio que deu à promoção e à apresentação do meu livro, do qual fez uma análise muito elogiosa – o que, vindo de um colega de profissão, é motivo de acrescido orgulho.       

sexta-feira, maio 26, 2017

Oráculo: A 2 de Junho, no ISCTE-IUL…

… Na sala C1.04 do Edifício II daquele instituto, e a partir das 18 horas, será apresentado o meu novo livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal». Como anunciei anteriormente, é uma obra que reúne os meus melhores artigos (três deles premiados) sobre o processo de digitalização e de modernização tecnológica do nosso país, impulsionado por José Mariano Gago, e a sua edição coincide com o vigésimo aniversário do lançamento do «Livro Verde para a Sociedade da Informação», em Maio de 1997.
A apresentação será feita, além de por mim, por Renato Epifânio, Presidente da Direcção do Movimento Internacional Lusófono, entidade que publica este meu livro, e por Vasco Matos Trigo, actualmente Coordenador do Gabinete de Comunicação e Multimédia do ISCTE-IUL, e que, enquanto jornalista da RTP, esteve, tal como eu, entre os que mais cedo e mais de perto acompanharam as grandes mudanças que então – na transição de década, século e milénio – se verificaram em Portugal a partir do sector das comunicações.
A ilustração da capa, intitulada «Fernando Pessoa actualiza-se», foi feita pela minha filha Cláudia dos Santos, e baseia-se, obviamente, no «Retrato de Fernando Pessoa», de José Almada Negreiros. Agradeço mais uma vez a Catarina e a Rita Almada Negreiros, netas do genial artista, a aprovação da utilização, por nós, daquela obra. (Referência no Cedilha e no MILhafre.)

quarta-feira, maio 17, 2017

Ocorrência: Queixas na CCPJ, na ERC e no SJ

Tendo como motivo, obviamente, a censura de que eu fui alvo, e, mais especificamente, de que o meu artigo «Histeria histórica» foi alvo, facto de que já dei conhecimento aqui no passado dia 14 de Março
…No passado dia 7 de Abril apresentei queixas contra Nuno Ribeiro e David Dinis, respectivamente editor de opinião e director do jornal Público, à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Aleguei, na minha exposição às duas entidades, que «é meu entendimento que Nuno Ribeiro e David Dinis violaram (pelo menos) os pontos 2, 3 e 8 do Código Deontológico do Jornalista, e ainda os pontos 2 e 7 do Estatuto Editorial do Público», e por isso solicitei a ambas, «no âmbito da sua actuação e competências, a aplicação de sanções adequadas aos jornalistas mencionados.»
A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista enviou-me a sua resposta, não assinada, no dia 24 de Abril: «Vimos, por este meio, comunicar o despacho proferido pelo Secretariado desta Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), o qual passamos a transcrever: “Informar o exponente de que a matéria exposta extravasa o âmbito de competências desta CCPJ”.» A Entidade Reguladora para a Comunicação Social enviou-me a sua resposta, assinada por Fátima Resende, directora executiva, no dia 27 de Abril (ortografia corrigida): «Em resposta à sua participação cumpre esclarecer que, nos termos do artigo 6º dos Estatutos da ERC, aprovados pela Lei Nº 53/2005, de 8 de Novembro, apenas estão sujeitas à supervisão e regulação daquela, as entidades que, sob jurisdição do Estado Português, prossigam actividades de comunicação social, relativamente aos conteúdos divulgados, não tendo a ERC qualquer intervenção relativamente a jornalistas. Acresce que, nos termos do artigo 20º, alínea a), da Lei de Imprensa, cabe do director de uma publicação periódica “orientar, superintender e determinar o conteúdo da publicação”, o qual tem autonomia e liberdade editorial para decidir o que publicar. Assim, e entrando no caso concreto, é da responsabilidade do director do jornal decidir se publica ou não um texto de opinião, devendo apenas a ERC intervir no caso de se verificar alguma violação às normas que regulam a actividade de comunicação social, o que não parece ser o caso.»
No passado dia 3 de Maio apresentei uma terceira queixa, idêntica às duas anteriores, ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas. Este enviou-me a sua resposta no dia 9 de Maio: «Apreciada devidamente a exposição do seu caso, concluímos que não é da competência deste Conselho Deontológico pronunciar-se sobre a publicação ou não de artigos de opinião por parte dos órgãos de comunicação social.» Quem a assina? A actual presidente do CD do SJ, São José Almeida… também jornalista do Público, e que, naquela data, escreveu e publicou naquele jornal um artigo com David Dinis, seu superior hierárquico (director), e uma das duas pessoas contra quem eu apresentei a («tripla») queixa!
Resumindo e concluindo, a CCPJ, a ERC e o SJ declararam-se incompetentes para decidir sobre o assunto em causa, alegando que este não integra os seus respectivos âmbitos de actuação. Ou seja, recusaram pronunciar-se por causa da forma, e não do conteúdo, da queixa. Conteúdo esse que, pois, permanece incontestado. Entretanto, estou a considerar outras entidades a quem, eventualmente, apresentar o meu caso, e que se declarem competentes para ele; talvez, por exemplo, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Entidade Reguladora da Saúde e a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. ;-)  

segunda-feira, maio 08, 2017

Ocorrência: Sem «faro» para a correcção

Não constitui novidade para alguém que acompanhe o assunto com alguma atenção que os prémios literários em Portugal constituem frequentemente motivo de interrogações, polémicas, suspeitas… Habitualmente, tal resulta da componente «atribuição», mais concretamente quando o vencedor não constitui propriamente uma surpresa, e era até algo previsível. Exemplos nesta «categoria» não faltam, e no ano passado mencionei um, relativo a um galardão a que eu também concorri e que, não surpreendentemente, não ganhei.
Porém, e embora menos frequente, a controvérsia também se verifica na (prévia) componente «organização». Neste caso, um dos exemplos mais recentes foi dado pelo Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, cujo prazo de inscrição para a sexta edição terminou no passado dia 30 de Abril. O que há, houve, de insólito nesta iniciativa da Câmara Municipal de Faro promovida «com o alto patrocínio da Fundação Millennium BCP e o apoio da Direção Regional de Cultura, Universidade do Algarve, FNAC e Tertúlia Algarvia»? «Apenas» o seguinte: apesar de ser um prémio bienal, isto é, que se realiza de dois em dois anos, só aceita livros publicados (em primeira edição) no ano anterior à sua atribuição! Ou seja, o galardão da sexta edição, que será entregue neste ano de 2017, incide unicamente sobre obras lançadas em 2016. O que significa que, por exemplo, e entre outros, o meu «Q – Poemas de uma Quimera», publicado em 2015 pelo Movimento Internacional Lusófono, não foi admitido a concurso. Tal como não o seria, e não foi, em 2015, aquando da quinta edição, que restringiu os concorrentes aos livros editados em 2014.
Dito de outra forma: as obras lançadas em anos ímpares não existem, na prática, para o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa. Trata-se de uma óbvia, inegável e injustificável, e injusta, discriminação, da qual me queixei, em sucessivos contactos por telefone e correio electrónico, para a Câmara Municipal de Faro e para a Fundação Millennium BCP, tendo igualmente solicitado a alteração, a correcção, das regras no sentido de alargar o galardão a livros editados nos dois anos anteriores. As respostas foram negativas… no que respeita a 2017. No entanto, ficou a promessa de que, «lamentando esta situação, tentaremos rever as normas para a próxima edição, que serão colocadas à consideração superior do executivo (do município algarvio), de forma a poder melhorar este que pretende ser um evento para homenagear o nosso patrono António Ramos Rosa.» Espero que sim, pois, até agora, essa «homenagem» está a ser feita a 50%. (Também no MILhafre.)

domingo, abril 30, 2017

Olhos e Orelhas: Primeiro Quadrimestre de 2017

A literatura: «Memórias de um Médium», João da Rocha; «Fahrenheit 451», «Todo o Verão num dia» e «A máquina da felicidade», Ray Bradbury; «Os Anjos Não Têm Asas», Ruy de Carvalho (com Paulo Mira Coelho); «Jackson Pollock (1912-1956) - No Limiar da Pintura», Leonhard Emmerling; «Salazar Vai ao Cinema II - A "Política do Espírito" no Jornal Português», Maria do Carmo Piçarra; «Lanterna Verde - Origem Secreta», Geoff Johns, Ivan Reis e Oclair Albert; «As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia», Miguel Real.
A música: «Sem Filtro», Gisela João; «Beggars Banquet», «Emotional Rescue» e «Blue & Lonesome», Rolling Stones; «A Saucerful Of Secrets» e «Ummagumma», Pink Floyd;  «Hours», «The Next Day» e «Black Star», David Bowie; «Contos Da Barbearia», Banda do Casaco; «Waiting For The Sun», Doors; «Over-Nite Sensation», Frank Zappa; «Uprising», Bob Marley & The Wailers; «Jazz Vocalists Sing George Gershwin», Chet Baker, Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Louis Armstrong, Sarah Vaughan, e outros; «Lust For Life», Iggy Pop; «Plays Live», Peter Gabriel; «Abacab», Genesis; «Tannhauser», Richard Wagner (por Bernd Weikl, Klaus Konig, Kurt Moll, Lucia Popp, Siegfried Jerusalem, Waltraud Meier, e outros, com a Orquestra Sinfónica e o Coro da Radiodifusão Bávara dirigidos por Bernard Haitink).  
O cinema: «Lincoln», Steven Spielberg; «A Minha Semana com Marilyn», Simon Curtis; «Tomada 3», Olivier Megaton; «A Jovem Victória», Jean-Marc Vallée; «Mortdecai», David Koepp; «Alçador», Rian Johnson; «O Conselheiro» e «Êxodo - Deuses e Reis», Ridley Scott; «Caminho das Estrelas - Além», Justin Lin; «Dor e Ganho», Michael Bay; «Vigarice Americana», David O. Russell; «Agora Tu Vês-me 2», Jon M. Chu; «Lucy», Luc Besson; «Meninice», Richard Linklater; «Dúvida», John Patrick Shanley; «Lovelace», Jeffrey Friedman e Rob Epstein; «Vaqueiros e Alienígenas», Jon Favreau; «Madrugada do Planeta dos Macacos», Matt Reeves; «12 Anos um Escravo», Steve McQueen; «Sei Lá», Joaquim Leitão; «John Wick», Chad Stahelski; «Rastejante Nocturno», Dan Gilroy; «O Diário do Rum», Bruce Robinson; «Este Deve Ser o Lugar», Paolo Sorrentino; «Sorriso de Mona Lisa», Mike Newell; «Homem-Morcego vs. SuperHomem - Madrugada da Justiça», Zack Snyder; «Alemanha Ano Zero», Roberto Rossellini; «Lar», Tim Johnson; «O Corvo», James McTeigue; «Chicotada», Damien Chazelle; «Morte Acertada», Jon Avnet.
E ainda...: FNAC - exposição de fotografias de Flávio Nuno Joaquim «Atlas» + exposição de trabalhos artísticos de Danny Ivan «Geometria Abtra(c)ta» (Vasco da Gama); Biblioteca Nacional de Portugal - exposição «&etc - Prolegómenos a uma editora» + exposição «Cadernetas de cromos - 100 anos do cromo coleccionável em Portugal» + exposição «Pascoaes - De Amarante (Solar de Gatão) ao Universo» + exposição «"Insólita ofensiva de corrupção" - A Afrodite de Fernando Ribeiro de Mello durante o Estado Novo (e depois)» + mostra «Pela saúde, aviso-te! Os avisos ao público no Portugal moderno (ca1770-ca1820)» + mostra «Testemunhos da escravatura» + mostra «Bibliotecas móveis do Corpo Expedicionário Português» + mostra «João Pinto de Figueiredo (1917-1984)» + mostra «Resistência civil, acordo com a Natureza - Bicentenário de H. D. Thoreau»; Contraponto/El Corte Ingles - Apresentação do livro «Política de A a Z» de Pedro Correia e Rodrigo Gonçalves; NFL - Espectáculo de Lady Gaga no intervalo do Super Bowl 51; (Núcleo de Alverca do) Museu Municipal de Vila Franca de Xira - exposição «Quotidianos do Feminino - 1900 aos anos de mudança» + exposição «Retratos das mulheres de Alverca (1915-1965)»; Divergência/Biblioteca São Lázaro - Apresentação do livro «Lovesenda ou o Enigma das Oito Portas de Cristal» de António de Macedo; «Piers Morgan's Life Stories - Barry Gibb»; Roberto Carlos - Lisboa, MEO Arena, 2017/4/19.

quinta-feira, abril 20, 2017

Outros: Na Locus a FC & F portuguesa

Em mais uma confirmação – como se tal ainda fosse necessário – do «domínio» (em termos de dinamismo de criação própria e de divulgação do trabalho de outros) que exerce na Ficção Científica e Fantasia em Portugal, Luís Filipe Silva marca presença na última (Nº 675, Abril de 2017) edição da revista norte-americana Locus, uma das mais antigas (50 anos de existência), importantes, influentes e premiadas da FC & F mundial. Merecedor de chamada de capa e ocupando as páginas 50 e 51, o artigo «Portuguese SF in the new millenium – A brief overview» («FC portuguesa no novo milénio – Uma breve panorâmica») constitui o mais recente contributo de LFS para a promoção internacional da ficção especulativa nacional, e nele se indicam títulos de obras e nomes de autores do género que de algum modo se destacaram, desde 2000, no nosso país…
… E nesses autores eu estou incluído, indicado, directamente, no texto, como editor (organizador) de «A República Nunca Existiu!», traduzida como «There Was Never a Republic!» (eu teria preferido algo como «The Republic Never Existed!» ;-)), e, indirectamente, na ilustração, com reproduções das imagens das capas de «A República…» e de «Mensageiros das Estrelas» - também estão, entre outras, as de «A Conspiração dos Antepassados» e «A Conspiração dos Abandonados». A Simetria é também referenciada, e como «a primeira associação de FC portuguesa» que promoveu pioneiras convenções anuais. Outros nomes citados: Daniel Tércio, David Soares, Filipe Faria, Inês Botelho, João Aniceto, João Barreiros, Jorge Candeias, José Saramago, Madalena Santos, Miguel Neto, Nuno Neves, Sandra Carvalho, Telmo Marçal… e, claro, o próprio Luís Filipe Silva. (Também no Simetria.   

domingo, abril 16, 2017

Oráculo: «Nautas» em Maio

O meu novo livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» será publicado no próximo mês de Maio. Não por acaso: é quando se celebra o 20º aniversário da edição do «Livro Verde para a Sociedade da Informação», trabalho liderado por José Mariano Gago enquanto ministro da Ciência e Tecnologia, que constituiu o programa para a «revolução digital do nosso país»… e, a um nível mais pessoal, representou o impulso decisivo para eu me tornar um jornalista especializado em novas tecnologias da informação e da comunicação – e, nessa qualidade, ter ganho quatro prémios de jornalismo.
Como afirmo na introdução, «Nautas»,  livro que reúne «os melhores e/ou os mais importantes textos sobre este assunto que escrevi durante quase dez anos», é «uma obra que procura identificar as principais questões, dúvidas, soluções e polémicas que a modernização tecnológica do país levantava nesse período fulcral, de transição de século e de milénio. Porém, mais do que as características e as capacidades das máquinas (seja hardware ou software), o que sempre me interessou mais são as ideias e as iniciativas das pessoas. (…) Quer (…) assumir-se como uma referência relevante, como um contributo, necessariamente modesto, para o registo, análise e compreensão de um processo indispensável e indissociavelmente ligado ao desenvolvimento – técnico, económico, social, cultural» de Portugal.
A publicação é do Movimento Internacional Lusófono com a DG Edições – uma parceria também responsável pelos meus dois anteriores livros publicados, «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo» (este um trabalho colectivo sobre o grande pensador português e o século XVIII em que viveu, que eu concebi, co-organizei e em que participei) e «Q – Poemas de uma Quimera». A data e o local da primeira apresentação de «Nautas» serão por mim divulgadas aqui (e não só) oportunamente. (Também no MILhafre.)

sexta-feira, abril 14, 2017

Ocorrência: «Segundo Ultimatum...» é hoje!

Hoje, 14 de Abril de 2017, é a data em que, em 2012, situei a «acção» do meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», com que participei na antologia colectiva «Mensageiros das Estrelas», também concebida e co-organizada por mim, e apresentada na edição do colóquio internacional com a mesma designação, realizada naquele ano. Consistindo numa variação do famoso texto «Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX», escrito por José de Almada Negreiros e por este lido a 14 de Abril de 1917 – sim, passa hoje um século! – no Teatro S. Luiz, em Lisboa, a minha narrativa representou igualmente, para além de uma (entre muitas) óbvia e mais do que merecida homenagem ao extraordinário, multifacetado, talentoso artista, também um exercício de uma espécie de «ficção científica de curto prazo», em que imaginei um Portugal diferente a apenas cinco anos de distância…
… E que se tornar(i)a numa assustadora distopia. Recupero e recordo um excerto: «Não foram só outros cidadãos europeus, pacíficos, em viagens de trabalho ou de turismo, que passaram a entrar sem qualquer burocracia, controlo e dificuldade no nosso território: também muitos criminosos, entre eles os mais audaciosos e violentos, invadiram o nosso espaço. E, a pouco e pouco, quase sem darmos por isso, as nossas cidades, vilas e aldeias, empresas, lojas e residências, foram ficando sob a ameaça ou até caindo no domínio de perigosos bandidos internacionais. Beneficiando da existência e da ineficiência de corporações policiais desmotivadas e subequipadas e de tribunais complacentes e lenientes, hordas motorizadas e blindadas vieram semear o terror por todo o país, do Algarve ao Minho, tentando roubar, sob a mira de pistolas, espingardas e metralhadoras, as cada vez menores riquezas de uma população continuamente assustada e cercada. Que, para se defender, organizou as suas próprias milícias, cuja principal preocupação é a protecção dos autocarros de transporte de crianças e de jovens estudantes, tesouros raros e alvos preferenciais dos facínoras, que se os capturarem podem pedir elevados resgates. Longe vão os bons velhos tempos em que eles se limitavam a assaltar caixas Multibanco e ourivesarias… A generalizada e permanente insegurança fez com que Portugal como que reentrasse numa nova Idade Média. Não porque se tenha verificado um retrocesso científico e tecnológico, muito pelo contrário, apesar dos constantes cortes nos abastecimentos de água, alimentos, electricidade e outros combustíveis, equipamentos e outros produtos; mas sim porque a ocupação do território se assemelha crescentemente ao da época feudal, com burgos fortificados que se constituem como autênticos oásis em extensas terras-de-ninguém… E a maior dessas terras-de-ninguém continua a ser o belo, injustiçado, maravilhoso Alentejo. Que ainda não retirou várias e visíveis vantagens do facto de o aeroporto de Beja, antes uma anedota… alentejana por causa da sua sub-utilização, ter sido transformado no astro-porto, ou cosmódromo, de Beja graças a Richard Branson e à sua Virgin Galactic, atraindo assim muitos milionários para viagens de turismo espacial. Milionários esses que têm também dinheiro suficiente para pagar a sua segurança, e as suas estadias nos hotéis e apartamentos de luxo das ilhas artificiais e a hélice do Lago Alqueva. Entretanto, e tendo também como pretexto o aumento da violência, em Portugal já não são só os arguidos, suspeitos, detidos, culpados, que têm de usar pulseiras electrónicas: todos os cidadãos a partir dos 18 anos, portadores de número de identificação fiscal, têm de o fazer! É um substituto do CU, do dito “cartão único”, o “cartão de cidadão”, que aliás já tinha um chip incorporado. ”É para o nosso bem, para a nossa segurança”, dizem os nossos governantes, “para estarmos permanentemente localizáveis e contactáveis”. E constituiu uma consequência lógica, o passo seguinte inevitável num processo de muitos anos de maior “transparência” dos cidadãos perante o Estado… mas não o inverso: afinal, se aquele tem um acesso permanente às nossas contas bancárias e declarações de rendimentos para IRS, IRC e IVA de modo a verificar se há ou não fuga ao fisco, e como forma de obtermos descontos em serviços públicos na educação, na saúde e nos transportes, no caso de aqueles rendimentos serem baixos, por que motivo não se transitaria para uma situação de monitorização e vigilância permanentes?»
Reconheço que, afinal (e felizmente!), estas previsões, embora feitas em contexto de criação literária, não se concretizaram… ainda. O meu texto pretendeu (e creio que conseguiu) ser chocante, controverso, polémico, provocatório; porém, só assim chegaria perto de honrar o antecessor criado por Almada Negreiros, que há cem anos «aterrorizou» muitas (in)consciências. Previsivelmente, a efeméride foi pretexto para um programa comemorativo, que, logicamente, tem hoje o seu momento culminante. O pintor e escritor, ilustre elemento do grupo Orpheu, continua(rá) sendo uma referência de cidadania, coragem, imaginação, iniciativa. Nunca deixará de ter interesse, nunca deixará de estar presente. E a exposição que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe dedicou, com o título «Uma maneira de ser moderno», inaugurada a 3 de Fevereiro último e aberta até 5 de Junho próximo, é mais uma demonstração disso mesmo. (Também no MILhafre e no Simetria.)

sexta-feira, março 31, 2017

Oráculo: Aulas «fantásticas» na FLUL

Numa iniciativa do Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa, a licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras daquele estabelecimento de ensino superior irá receber, em Abril, as visitas de dois escritores nacionais, dois autores cujo género literário que, na ficção, preferem e professam é a Ficção Científica e Fantástico: Luís Filipe Silva… e eu.
Ambos vamos participar em aulas da disciplina «Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa», para comunicações e conversas com os alunos, em terças-feiras consecutivas, entre as 12 e as 14 horas e na sala 2.1: o Luís a 4 de Abril, eu a 11. O criador de «O Futuro à Janela» e de «A Galxmente» escolheu «Steampunk» como tema; eu escolhi «O fantástico é o género dominante na literatura portuguesa» - sim, o subtítulo (e tese) do meu artigo «A nostalgia da quimera», publicado (apenas electronicamente) no Público em 2011.
Recordo que o CEAUL é a entidade que organiza desde 2010, e de dois em dois anos, o colóquio internacional Mensageiros das Estrelas, tendo eu participado como orador nas três primeiras edições, e, em 2012, ter concebido, co-organizado e participado na antologia colectiva de contos com o mesmo título, que teve a sua primeira apresentação também naquele evento. (Também no Simetria.  

quinta-feira, março 23, 2017

Opções: Por um referendo à UE

Já assinei a petição «Em prol de um referendo sobre o futuro da União Europeia», promovida pelo Movimento Internacional Lusófono e dirigida «às senhoras e aos senhores deputados da assembleia da república portuguesa». Quem quiser fazer o mesmo deve ir aqui.
Lê-se no texto que apresenta e que explica a iniciativa: «Mil e uma vezes nos foi prometido um referendo sobre a nossa integração na União Europeia, sem que alguma vez esse referendo tenha ocorrido. Consideramos ser este o momento certo. Portugal não pode continuar dependente das decisões dos outros países europeus. Portugal pode e deve assumir em que termos pretende continuar na União Europeia. Portugal pode e deve decidir, finalmente, a melhor forma de articular a nossa relação com o espaço europeu com a nossa, até aqui tão desprezada, relação com o espaço lusófono. Chegou finalmente a hora de os portugueses se pronunciarem sobre o nosso futuro.»
A hipótese, e a(s) proposta(s), de realização de uma consulta popular sobre a nossa presença e a nossa participação nas instituições e nas políticas comunitárias e unitárias europeias, têm sido apresentadas e discutidas no nosso país há muitos anos – em especial desde 1992, aquando da assinatura do Tratado de Maastricht. Porém, vários têm sido os politicos portugueses em cargos de elevada importância a recusarem sequer considerar essa possibilidade. Um deles, mais recentemente, e por mais de uma vez, é o actual presidente da república, para quem tal questão «não se põe» ou é mesmo «inadmissível». Uma atitude típica de elitista, que se acha superior aos seus compatriotas, que acredita que pode e deve sempre pensar e decidir pelo povo ignorante e irresponsável. E depois queixam-se do recrudescimento do «populismo»! 

terça-feira, março 14, 2017

Ocorrência: Censurado pelo Público…

… Ou, mais correctamente, por algumas pessoas no Público. Hoje, no meu (outro) blog Obamatório, publiquei o meu artigo «Histeria histórica»… integralmente, quando o objectivo inicial era apenas reproduzir do mesmo um excerto. E há mais de um mês: no passado dia 12 de Fevereiro enviei-o àquele jornal para ser editado, mas apenas electronicamente – a sua elevada dimensão (quase 14 mil caracteres) tornava a sua passagem a papel improvável, se não mesmo impraticável.
Porém, no dia 23, e depois de me ter garantido, em conversa por telefone no dia 20, que ele seria publicado a 22, Nuno Ribeiro enviou-me uma mensagem em que me informava de que, afinal, e após uma «avaliação», o meu texto não sairia. Em conversa por telefone posterior com o actual editor de opinião do Público perguntei-lhe repetidamente quem efectuara essa «avaliação» e o que se concluíra nela – isto é, quais os motivos concretos que haviam levado à reversão da decisão inicial. O meu interlocutor recusou-se a responder, reiterando que o meu artigo era «impublicável», e aconselhou-me a recorrer ao actual director, David Dinis. O que fiz…
… Por correio electrónico nesse próprio dia, 27 de Fevereiro, tendo recebido uma resposta a 8 de Março. Nela, finalmente, tive conhecimento da «justificação» para a reprovação de «Histeria histórica»: é «ofensivo»… não segundo DD, que alegou não o ter lido, mas sim segundo as tais pessoas – o editor de opinião, de certeza, e os directores-adjuntos, talvez – que fizeram a tal «avaliação». Na minha réplica desafiei o director a apontar-me específicas e indubitáveis calúnias, erros, falsidades, mentiras, contidas no meu artigo. Até ao momento não o fez (aliás, não voltou a responder-me) e também não mandou publicá-lo. Portanto, e como «quem cala consente», deve-se depreender que, lamentavelmente, optou por ratificar a decisão dos seus subordinados, atentatória da liberdade de expressão, minha e não só.
É a primeira vez, em mais de 20 anos de colaboração, que um artigo meu é recusado pelo Público. Já fui alvo de discriminação e de censura, tentadas e concretizadas, por vários indivíduos e instituições, mas nunca, até agora, tal acontecera a partir do jornal fundado por Vicente Jorge Silva. Fica desde já aqui a (primeira) denúncia… que, todavia, não esgotará a minha reacção a esta indigna, intolerável ocorrência. (Transcrição no Apartado 53.)  

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Outros: Apresentando... «Lovesenda»

(Uma adenda no final deste texto.
No próximo dia 18 de Fevereiro será feita a primeira apresentação do novo livro – mais especificamente, o novo romance – de António de Macedo. Intitulado «Lovesenda ou o Enigma das Oito Portas de Cristal», terá o seu lançamento em Lisboa na Biblioteca São Lázaro (Arroios) a partir das 16.30 horas. Entretanto, a Editorial Divergência, que publica a obra, tem estado a efectuar a pré-venda desta na sua loja electrónica, numa promoção que se prolonga até dia 17 e que proporciona um desconto de 10% (sobre um preço-base de 24,99 euros).
Esta é a sinopse: «Altos Príncipes, Senhores de mim, sacerdotisas minhas irmãs — impacientais-vos? Quereis ouvir sem delongas a história abominável da arrebatada paixão da donzela Lovesenda, filha do conde Diogo Enheguiz, por um espectro? A história que está na raiz da sacrílega situação em que me despenhei? Aguardai porém um momento, suplico-vos: toda a alma tem paragens desconhecidas que somos obrigados a percorrer, por mais obscuras, e a alma da donzela Lovesenda e as inconfessáveis impaciências que nela desde cedo se alojaram exibem feias chagas que lhe foram abertas por uma fieira de medonhas investidas do outro mundo, tão feias como as dos secretos e despudorados procederes do conde Diogo, seu pai, e da condessa Châmoa Telles, sua mãe — cada um com sua traição para com o outro, e qual delas a pior.» Um enorme – 507 páginas! – trabalho de imaginação, «erudito, divertido e fascinante, eis António de Macedo no seu melhor», segundo Luís Filipe Silva.
Orgulho-me de ter dado um modesto contributo para a concretização desta edição. Há precisamente um ano (foi em Fevereiro de 2016), em mais uma troca de mensagens entre nós os dois, António de Macedo revelou-me que tinha três obras – mais concretamente, dois volumes de contos e um romance – que já haviam sido recusados por 14 (!) editoras, e concordou que a rejeição por parte daquelas «é a nossa sina. A única maneira de superar tudo isto é nunca perder a esperança.» Então, na resposta, eu sugeri-lhe que tentasse, que contactasse, a Editorial Divergência… e à décima quinta foi de vez! (Também no Simetria.)
(Adenda - A Editorial Divergência divulgou, no seu sítio na Internet, fotografias e vídeo da apresentação.)

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Observação: E, porém, ela existe…

Hoje assinala-se mais um – infeliz – aniversário do regicídio de 1908, um vergonhoso atentado, um hediondo crime, em que efectivamente viria a assentar a república em Portugal, «oficialmente» instaurada em 1910 por via de um golpe militar – e que por isso, e também por nunca ter sido directa e explicitamente ratificada em eleições, continua a constituir um regime ilegítimo. No que já se tornou uma – honrosa – tradição, a funesta data foi igualmente evocada pela Real Associação de Lisboa através da realização de uma missa de sufrágio na Igreja de São Vicente de Fora, seguida de uma romagem ao Panteão Real.  
Entretanto, e embora não tanto como em anteriores anos e ocasiões, as referências e mesmo as discussões a propósito, não só do assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luiz em particular mas da dicotomia, da questão Monarquia-República em geral, vão surgindo, sendo feitas, no espaço mediático nacional. Dois textos recentes, um num jornal (digital) e outro num blog, constituem disso demonstrações.
O primeiro, «Extremistas a ensinarem crianças», foi escrito por Maria João Marques e publicado no Observador – e reproduzido, em parte, no blog O Insurgente, onde a autora também colabora. Nele ela relata e comenta o que havia acontecido com um dos seus filhos, na escola, na disciplina de História. Um excerto: «(No) meio do programa algo fez o rapaz ficar baralhado com as misérias do Portugal monárquico e as maravilhas do Portugal republicano. Por razões misteriosas, ficou convencido que monarquia era sinónimo de ditadura e pobreza. E que a república, em Portugal, havia trazido o melhor dos mundos. Lá tive eu – que sou republicana, mesmo que não diabolize a monarquia (ok, assumo, é impossível resistir a gozar com certos membros de certas famílias reais) – que repor, naquela impressionável e adorável cabeça, a verdade. Que a pobreza dos tempos monárquicos se devia mais às características secularmente estruturais de Portugal (e que muitas delas persistem hoje, iguais ou ligeiramente travestidas) que ao singelo facto de termos monarcas. Que a Primeira República foi uma rebaldaria indecorosa, com atropelos graves aos direitos e liberdades dos portugueses e de um anticlericalismo radical e dispensável. Que chegou à infâmia de proibir explicitamente o voto feminino, anteriormente possível em circunstâncias estreitas. Que nada faz equivaler ditaduras a monarquias. Que o ditatorial Estado Novo (de resto convidado pela rebaldaria) era um regime republicano. Que vários países europeus ricos e democráticos são monarquias e que a coisa socialista proto-totalitária venezuelana é uma república, bem como todos os totalitarismos comunistas (sendo que estes costumam descambar em monarquias das más, de facto).» Uma atitude – de mãe e de pedagoga – louvável e correcta, e uma explanação que corresponde à verdade dos factos, apesar de serem prejudicadas, ironicamente, pela utilização do abjecto AO90, o mais recente dejecto de uma «(di)gestão ortográfica» prepotente, regularmente enfraquecedora da língua e da cultura, e que foi iniciada (em 1911), precisamente, pelos republicanos, e desde logo criticada, condenada, entre outros, por Fernando Pessoa.
O segundo texto, «Saraiva, Sena e Salazar», foi escrito por António Cirurgião e publicado no blog Malomil. Nele o autor recorda e relata encontros que teve, há mais de 30 anos, com António José Saraiva, e a opinião do famoso historiador (irmão de José Hermano Saraiva, pai de José António Saraiva) sobre o (então) presente e o passado recente do país. Um excerto: «Depois de ele proferir os maiores horrores sobre a situação política, social, económica e cultural de Portugal, eu perguntei-lhe que remédios aventava ele para solucionar essa deplorável situação. E a resposta dele não se fez esperar. “Essa deplorável situação” resolvia-se com a restauração da monarquia, com um reizinho, uma figura paternal, à imitação de Salazar. Só dessa maneira se poderiam governar os portugueses, o povo mais individualista e ingovernável do planeta.» Porque a outra interveniente nessa (e testemunha dessa) conversa, Maria de Lourdes Belchior, também já faleceu, o depoimento do Dr. Cirurgião não pode ser confirmado. Mas, a ser verdade, não deixa de ser deveras interessante o que um suposto marxista, comunista, concluíra quanto à que poderia ser a melhor solução para o país… embora, obviamente, o ditador vindo de Santa Comba Dão não constituísse – aliás, não constitui e nunca constituirá – uma figura modelar para uma monarquia que se pretende democrática…
… E que foi imaginada, por mais do que um autor, na antologia colectiva de contos de história alternativa «A República Nunca Existiu!», que eu concebi, organizei, em que participei, e que consegui publicar em 2008, no centenário do Regicídio. E, porém, ela existe… infelizmente. (Também no MILhafre.)

domingo, janeiro 22, 2017

Orientação: (Muitos d)Os meus artigos no Público

Já existe, no sítio na Internet do Público, a minha «página de autor» própria, que reúne (quase todos) os artigos que escrevi para aquele jornal e que por ele foram publicados, tanto electronicamente como também em papel (a maioria até agora), e dos quais eu fui dando notícia no Octanas desde 2005 – o mais recente é «Cidadãos ou cobaias?». Uma ligação permanente para essa página passa a estar igualmente disponível aqui no blog, à esquerda, no espaço «Outras obras individuais e colectivas».

terça-feira, janeiro 10, 2017

Observação: Nunca me arrependi

O falecimento, no passado dia 7 de Janeiro, de Mário Soares, em Lisboa, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internado desde 13 de Dezembro, motivou, como seria de esperar, uma avalanche avassaladora de declarações, elogios e elegias, homenagens, memórias, recordações, reminiscências e retrospectivas. Apesar de nunca ter tido a oportunidade de o conhecer pessoalmente, ao contrário, por exemplo, do meu amigo Rui Paulo Almas, em 1991, enquanto membro da Direcção da Associação Académica de Lisboa, o ex-secretário geral do PS e ex-primeiro-ministro não deixou de ter impacto também na minha vida…
… E isso aconteceu na qualidade de presidente da república. A eleição de 1986 representou para mim, e provavelmente para muitas outras pessoas, um importante ponto de viragem… porque começou aí o meu afastamento em relação ao Partido Comunista Português, a que estava ligado através da militância na Juventude Comunista Portuguesa: não compreendi e não concordei com o apoio dado a Francisco Salgado Zenha, e dei o meu voto, na primeira volta, a Maria de Lurdes Pintassilgo, ao contrário de vários «camaradas» meus de então que, apesar de terem simpatia pela ex-primeira-ministra, não deixaram de obedecer ao Comité Central… Pelo que, na segunda volta, me custou muito menos votar no tão vilipendiado «Bochechas», contra Diogo Freitas do Amaral. Um acto tão simples que, porém, foi como que um respirar de alívio, um «fazer as pazes»: o triunfo do marido de Maria Barroso – e é sempre de lembrar esta mulher notável, que faleceu em 2015 – constituiu como que um momento de distensão num país que, nos 12 anos anteriores, desde 25 de Abril de 1974, vinha acumulando antipatias e confrontos, uns mais graves do que outros. A campanha eleitoral foi empolgante, até excitante, como não acontecera antes e não voltou a acontecer depois.
A seguir a tomar posse, Mário Soares comportou-se no entanto de forma exemplar, diria que quase irrepreensível – é verdade que do Palácio de Belém foram lançadas regularmente algumas «farpas» a Aníbal Cavaco Silva, o que a mim não causava desagrado, pois ontem não tinha e hoje não tenho qualquer respeito pelo boliqueimense, que nunca recebeu o meu voto, nem como candidato a primeiro-ministro, nem como candidato a presidente da república: a actuação de «Gigi» (a alcunha de infância revelada por Mário Moniz Pereira) foi caracterizada por uma considerável abrangência, política, social e cultural; as suas viagens por Portugal, várias vezes sob a forma de – inovadoras - «presidências abertas», eram invariavelmente ocasiões de confraternização e mesmo de alegria popular; as viagens ao estrangeiro contribuíram decisivamente para começar a desvanecer a imagem do nosso país como um local atrasado, empoeirado, saudosista e soturno, e a integração europeia não impediu a (re)descoberta de outras conexões geográficas e geoestratégicas, delas se destacando a que resultou de uma memorável visita à Índia – surgiu mesmo a anedota sobre qual era a diferença entre Deus e Soares… um estava em todo o lado e o outro já lá tinha estado!
Na (re)eleição seguinte, ele voltou a vencer, desta vez facilmente, contra Basílio Horta. Não precisava do meu voto, mas eu entendi que ele o merecia – foi a minha forma de lhe dizer «obrigado», de agradecer (antecipadamente) a um republicano, socialista e laico me ter ajudado a tornar-me (ou a assumir-me como) um monárquico, conservador e cristão. Nunca me arrependi das duas vezes que desenhei um «x» à frente da sua fotografia – ao contrário do que aconteceu (por uma vez) com o seu sucessor. E é por isso que hoje, em que foi sepultado após um funeral de Estado, câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos – onde em 1985 assinou a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia – e três dias de luto oficial, prefiro, não tanto esquecer, mas não evocar os aspectos menos agradáveis do seu percurso, desde a sua participação na (desastrada) descolonização à sua terceira (e fracassada) candidatura presidencial em 2006, passando pelas revelações de Rui Mateus, a defesa que fez de José Sócrates e os cada vez mais infelizes (para não usar uma expressão mais desagradável) artigos de opinião no Diário de Notícias. Prefiro homenagear o opositor de António de Oliveira Salazar, o apoiante de Humberto Delgado, o discípulo de Agostinho da Silva. (Também no MILhafre.)  

sábado, dezembro 31, 2016

Olhos e Orelhas: Terceiro Quadrimestre de 2016

A literatura: «Triunfos», Francesco Petrarca; «Dois Cavalheiros de Verona», «A queixa de um amante» e «O peregrino apaixonado», William Shakespeare; «Direitos do Homem», Thomas Paine; «Os Mil e Um Fantasmas», Alexandre Dumas; «História Universal da Infâmia» e «Ficções», Jorge Luís Borges; «A Engrenagem», Jean Paul Sartre; «História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar», Luís Sepúlveda; «SuperHomem/HomemMorcego - Melhores do Mundo», Dave Gibbons e Steve Rude.
A música: «Retrato», Rita Guerra; «Du Chant À La Une!», «Nº 2» e «L'Étonnant», Serge Gainsbourg; «Weasels Ripped My Flesh», «One Size Fits All», «Bongo Fury» (com Captain Beefheart) e «Sheik Yerbouti», Frank Zappa; «Greatest Hits», Demis Roussos; «Perfect Strangers», Deep Purple; «The Clash», Clash; «A Vida Secreta Das Máquinas», Rodrigo Leão; «Born To Run», Bruce Springsteen; «Music», Madonna; «The Last Tour On Earth» e «The Pale Emperor», Marilyn Manson; «I'm Your Man», Leonard Cohen; «One O'Clock Jump», Count Basie; «Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada», Vitorino; «Symphonie Fantastique» (pela Orquestra Sinfónica de Chicago dirigida por Claudio Abbado), Hector Berlioz.
O cinema: «Hansel e Gretel - Caçadores de Bruxas», Tommy Wirkola; «Fura-Casamentos», David Dobkin; «O Armário da Mágoa» e «Zero Escuro Trinta», Kathryn Bigelow; «O Segredo das Pedras Vivas», António de Macedo; «Espelho», Andrei Tarkovsky; «REP», Robert Schwentke; «Os Dispensáveis 2», Simon West; «Riddick», David Twohy; «Oz o Grande e Poderoso», Sam Raimi; «Sopra», Ted Demme; «Philomena», Stephen Frears; «Nós Somos os Miller», Rawson Marshall Thurber; «3.10 Para Yuma», James Mangold; «A Outra Mulher», Nick Cassavetes; «Recolha Total», Len Wiseman; «Inimigo», Denis Villeneuve; «O Lobo de Wall Street», Martin Scorsese; «A Purga», James DeMonaco; «Código-Fonte», Duncan Jones; «Elysium», Neill Blomkamp; «Um Método Perigoso», David Cronenberg; «Thérèse Desqueyroux», Claude Miller; «Cidade Escura», Alex Proyas; «Depois da Terra», M. Night Shyamalan; «Transcendência», Wally Pfister; «G. I. Joe - Retaliação», Jon M. Chu; «Sabotagem», David Ayer; «As Aventuras do Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes», Gene Wilder; «Oblívio», Joseph Kosinski; «Jack Reacher», Christopher McQuarrie; «Guerra Mundial Z», Marc Forster.
E ainda...: MoteLx 2016 - 10º Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa; ITV-País de Gales - «Roger Glover - Made In Wales»; «Nova Colecção Outono», (anúncio publicitário do) El Corte Inglés; «Love Without Violins», (vídeo musical dos) Gift; Biblioteca Nacional de Portugal - colóquio «Nos 350 Anos da Morte de D. Francisco Manuel de Melo» (organização IFLB/MIL) + exposição «"Lux Anima" - Um olhar sobre o acervo da Biblioteca de Évora» + exposição «Da "Feliz Lusitânia" à "Felix Belém" - 400 anos da fundação de Belém do Pará» + mostra «Delfim Santos - O filósofo do diálogo» + mostra «As mil e uma entradas no labirinto - Gottfried Wilhelm Leibniz» + mostra «Cervantes - A figura que se esconde por detrás da obra»; «A Apanhada» (primeira temporada), Helen Gregory e Jennifer Schuur; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa - conferência internacional «Cidades Perdidas e Transformadas - Uma Perspectiva Digital»; «Ride 'Em On Down», (vídeo musical dos) Rolling Stones; «Convicção» (primeira temporada), Liz Friedlander e Liz Friedman; Fundação/Museu (do) Oriente - exposição «A Ópera Chinesa» + exposição «China hoje - A desafiar os limites» + exposição «Desorient Express - Dez peças em cerâmica de Bela Silva»; Câmara Municipal de VFX - Bienal de Fotografia 2016 de Vila Franca de Xira + exposição (no Museu Municipal) «Vila Franca de Xira, anos 40 a 50 do Século XX - Molduras de um Concelho».

domingo, dezembro 18, 2016

Orientação: Sobre cidadãos e cobaias, no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Cidadãos ou cobaias?». Um excerto: «Em Portugal, e ao contrário de Angola e de Moçambique, que se recusam – felizmente, e esperemos que definitivamente – a recuar no tempo, a regredirem enquanto nações, esse novo “Estatuto do Indigenato” (...) (entrou) efectivamente (?) em vigor, por via da famigerada Resolução da Assembleia da República Nº 35/2008, de 29 de Julho. Para a revogar, para a repelir, para – literalmente – a rasgar, e, assim, as pessoas deste país deixarem de ser peões de interesses que lhes são estranhos e/ou externos, de serem cobaias em duvidosas “experiências filo(i)lógicas” dirigidas por pervertidos protegidos pelo poder político, e porque não basta que Murade Murargy dê a sua “autorização”, há que assinar e concluir a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico». (Também no MILhafre. Transcrição no Apartado 53 e no ILCAO.))

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Outros: Comentários meus contra o AO (Parte 5)…

… Escritos e publicados, desde Março último, nos seguintes blogs: Apartado 53 (um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete); Horas Extraordinárias (um, dois); Delito de Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis); Malomil; Corta-Fitas; Aventar; Do Portugal Profundo. E que aborda(ra)m, entre outros subtemas: a «despromoção» do Português no Vaticano; a arrogância (por avisar o presidente da República para «cumprir a lei»), e também a cobardia (por se recusar a debater), por parte de Malaca Casteleiro; as responsabilidades – e as culpas – de bastante editoras na propagação do «acordo ortográfico de 1990», incluindo a reedição de antigas colecções e de «obras clássicas» com ortografia alterada; o debate – e o dilema – entre reformar ou eliminar o AO90; a incerteza quanto à verdadeira posição – e a eventuais futuras acções – de Marcelo Rebelo de Sousa relativamente a este assunto; o insulto póstumo a Vasco Graça Moura feito pela Imprensa Nacional Casa da Moeda; porque o Diário de Notícias já não merece estar na Avenida da Liberdade; Francisco José Viegas e os «sovietes improvisados» da Escola Estatal nacional.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Ocorrência: «… Verney…» no «Delito…»

O blog Delito de Opinião, através de Pedro Correia, apresentou como a sua «Sugestão: Um livro por dia» de hoje «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», obra coordenada por mim, António Braz Teixeira e Renato Epifânio, e que contém os textos das comunicações apresentadas no congresso com a mesma designação realizado em 2013 na Biblioteca Nacional de Portugal e no colóquio realizado em 2014 na Universidade de Évora, a propósito e a pretexto dos 300 anos do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar». (Também no MILhafre.)   

segunda-feira, novembro 21, 2016

Outros: Contra o AO90 (Parte 14)

«A criação de um discurso revisionista», «Os canibais» e «Pequeno tratado da anulação das almas», Olga Rodrigues; «… Porque o que anda por aí… é uma vergonhosa maneira de escrever…», «Um vírus altamente nocivo chamado AO90…», «Ninguém para o Acordo Ortográfico de 1990», «Terá o AO90 algo a ver com o “complexo de vira-lata” brasileiro?», «”Toda a lógica instrumental do AO90 é brasileira”», «A história do milagre da multiplicação da língua portuguesa depois do AO90» e «Investigação sobre o AO90», Isabel A. Ferreira; «Tristes tretas», «Esperar para ver», «Intoxicação acordista “a contrario”», «”Palheta”», «”O Triunfo dos Porcos”» e «Viva», João Pedro Graça; «Reflexão do dia (uma, duas)», «Os proletários e a aristocracia do ornitorrinco ortográfico», «Os péssimos “contatos” do Conselho Económico e Social», «O país das duas ortografias», «Escritores discordam do “acordo”», «Injúria póstuma a Graça Moura» e «Quando a tolice se torna lei», Pedro Correia; «Santana Lopes ou ortografia sem dogmas», «Diga “expectativa”!», «”Contate hoje mesmo!”» e «Ana Paula Laborinho defende a morte das variantes do português», António Fernando Nabais; «Carta-Aberta ao Ministro da Educação» e «Persistir contra o Acordo Ortográfico de 90», Maria do Carmo Vieira; «Inverter Pessoa», João André; «O ministro é sereno», «Espetadores flutuantes», «Falares há muitos, dizeres também», «O leite e a lata», «Dilema legendário», «Galiza? Venha ela», «Andamos ou andámos?», «Por umas letrinhas apenas» e «O Atlas, a língua e os seus delírios», Nuno Pacheco; «As elites bem falantes ou as noções básicas de democracia», Miguel Sousa Tavares; «A reversão mais valiosa para o futuro – acabar com o Acordo Ortográfico», José Pacheco Pereira; «Professor Martelo», João Pereira Coutinho; «Um amplo debate entre os países lusófonos?», «Marcelo Rebelo de Sousa e o Acordo Ortográfico de 1990», «História dos Fatos sociais e fator issues», «O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff», «À espera de Marcelo Rebelo de Sousa» e «Contra o Orçamento de Estado para 2017», Francisco Miguel Valada; «Acordar mal», Luciano Amaral; «O Acordo e a linguiça», João Gonçalves; «O desacordo», Joana Petiz; «Aos alunos portugueses e ao actual ministro da Educação», António Carlos Cortez; «Língua portuguesa – é a hora?», António Jacinto Pascoal; «A negligência na língua e na escrita é princípio da decadência dum país», Guilherme Valente; «Contra o acordo infame», António Guerreiro; «A roleta da língua», Ana Cristina Leonardo; «Vão-se catar», Luís Menezes Leitão; «Os inventores do indefensável AO», Teolinda Gersão; «Os falsos pressupostos do Acordo Ortográfico», Filipe Zau; «Redondo (des)acordo», José Antunes de Sousa; «A nova vida da ILC», «”A ortografia também é gente”», «Habeas Lingua», «Cidadania e Língua Portuguesa» e «No domínio da opinião», Rui Valente; «Carta aberta ao PR – O acordo ortográfico do nosso descontentamento», Maria Teresa Ramalho; «Inconstitucionalidades da resolução Nº 8/2011 (AO90)», Francisco Rodrigues Rocha e Ivo Miguel Barroso; «AO90, a fórmula do desastre» e «Tudo isto é português», Fernando Venâncio; «Uma exígua conceção de cidadania», João Santos; «O injustificável acordo orto(?)gráfico», Gastão Cruz; «Juro que não é embirranço…», J. Manuel Cordeiro; «Carta aberta a um assassino da Alma Portuguesa», Pedro Barroso; «Porque sou fiel àquilo em que acredito» e «Muito obrigado à equipa da ILC», Luís de Matos; «As palavras e os(f)actos», Viriato Teles; «Curta vida ao AO é o que eu lhes desejo», Fernando Proença; «Uma ilha à deriva», Diana Guerreiro; «Um acordo que nunca o foi, um estulto alvoroço, escusado», Hugo Pinto Santos. (Também no MILhafre.)

domingo, novembro 06, 2016

Ocorrência: «Descobriu-se» uma dissertação

Ainda a tempo da celebração do décimo aniversário da edição de «Os Novos Descobrimentos», livro escrito por mim e pelo meu amigo Luís Ferreira Lopes e editado pela Almedina em 2006, fica a informação – na verdade, mais uma curiosidade – de que existe (pelo menos) mais um trabalho académico, mais uma tese universitária, que cita aquela nossa obra e a integra na sua bibliografia…
… E essa tese, mais especificamente uma dissertação de doutoramento em Sociologia, tem por título «A construção da comunidade lusófona a partir do antigo centro – Micro-comunidades e práticas da Lusofonia», e é da autoria de Cármen Liliana Ferreira Maciel, que a apresentou e defendeu em 2010 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. As menções a «Os Novos Descobrimentos» estão nas páginas: 90 - «os jornalistas Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos que alegam que, como consequência da consolidação da democracia e da (relativa) recuperação da economia, a produção cultural em língua portuguesa regista agora “uma nova dinâmica, em especial na literatura e na música. Começa-se – finalmente – a falar da guerra colonial”»; 122-123 – «Luís Ferreira Lopes e Octávio dos Santos (2006), ambos cientistas sociais e jornalistas, que acompanham o evoluir das relações entre o antigo centro e as ex-periferias, argumentam que a ideia de tal comunidade nasce do sonho de pensadores como Agostinho da Silva ou Gilberto Freyre e seus herdeiros culturais, para amadurecer no pensamento de homens como António de Spínola (autor de “Portugal e o Futuro”, de 1974) ou Joaquim Barradas de Carvalho (autor de “Rumo de Portugal”, também de 1974)»…
… E na página 344 através de uma dupla referência na lista das obras consultadas para o trabalho. Porém, numa delas o meu nome aparece como sendo… «Octácios»! Mais uma demonstração das continuadas (e intrigantes) dificuldades que aquele continua a suscitar junto de várias pessoas… e mais uma «variante» onomástica a juntar à «lista». 

sexta-feira, outubro 28, 2016

Opinião: Sobre «Q», na Nova Águia

A mais recente edição da revista Nova Águia (Nº 18, correspondente ao segundo semestre de 2016), que teve a sua primeira apresentação no passado dia 21 de Outubro n(o auditório d)a Biblioteca Nacional de Portugal, inclui, na página 268, uma recensão ao meu livro «Q – Poemas de uma Quimera» - editado no ano passado pelo Movimento Internacional Lusófono – escrita por Mendo Castro Henriques
… Da qual transcrevo alguns excertos: «Um livro intrigado com um título intrigante, foi o que escreveu Octávio dos Santos. Intrigado, porque nele se descobre uma admiração sem fim pela pátria portuguesa, a par de uma crescente perplexidade e angústia perante a sua conjuntural situação. (…) Vai repartindo o seu amor e as suas dúvidas sobre um certo Portugal que se perfila entre tipos humanos, paisagens, situações e expectativas. (…) Retrata ou espreita avidamente a vida a acontecer, túrgida de emoções, mas sem imediato sentido, a que só a breve composição poética restitui significado num envelope literário que exprime um pensamento principal. (…) Octávio dos Santos ama o passado português. E quanto mais nele se revê, mais intrigado está com o futuro que surge ora cinzento, ora ameaçador, ora medíocre, ora negro.»
Relembro e realço que «Q – Poemas de uma Quimera» não se encontra à venda nas livrarias, podendo ser adquirido apenas através do MIL, quer por correio quer nos eventos que o Movimento regularmente realiza um pouco por todo o país. (Também no MILhafre.)

quinta-feira, outubro 20, 2016

Obituário: J. M. Paquete de Oliveira

Faleceu no passado dia 11 de Junho, e, se fosse vivo, completaria hoje 80 anos. É por isso que escolhi esta data para uma breve, mas sentida, evocação de, e homenagem a, José Manuel Paquete de Oliveira…
… Que foi um dos dois professores (entre aqueles que me deram aulas em escolas) que mais importância e influência exerceram na minha vida pessoal e profissional. No Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa tive-o não só como docente de Sociologia da Comunicação – primeiro na disciplina de introdução àquela, depois no seminário (especialização) da mesma e última fase da licenciatura, que incluiu a elaboração e a defesa de uma tese específica – mas também como colega no Conselho Directivo e em duas assembleias escolares, em anos decisivos para a expansão e o fortalecimento do ISCTE enquanto estabelecimento de ensino moderno e de referência em Portugal. Com ele confirmei a minha vocação… para a comunicação, precisamente, apesar de, durante algum tempo, me ter convencido que aquela seria concretizada na publicidade; e, de facto, realizei o estágio (por ele conseguido depois de insistência da minha parte), no âmbito do seminário, numa das empresas do grupo McCann Erickson, uma memorável experiência de três meses (e que me soube a pouco), mas o insucesso posterior em obter um emprego naquela ou em outra agência (e várias foram as que contactei nesse sentido) como que me convenceu a tentar de novo o jornalismo, no qual me iniciara no Notícias de Alverca e depois continuara no DivulgAcção, o boletim da Associação de Estudantes do ISCTE que co-fundei e que dirigi enquanto naquele permaneci.
Durante dois anos eu e Paquete de Oliveira mantivemos um convívio, e mesmo companheirismo, praticamente quotidiano. Depois, e nos últimos 25 anos, os contactos, as conversas, foram ocasionais, pontuais, e quase sempre por telefone – invariavelmente, era eu que lhe ligava, para lhe dar novidades minhas, onde estava, o que fazia, os livros que publicava, os projectos em que me envolvia. Sim, admito que fiquei desiludido, e algo magoado, devido ao pouco ou nenhum interesse que ele manifestava pelo percurso subsequente daquele que tinha sido (não duvido em afirmá-lo, e as classificações demonstram-no) um dos seus melhores alunos – uma circunstância quase de certeza resultante do conflito em que me envolvi com algumas instâncias do ISCTE no final da licenciatura, e no qual dele não recebi o apoio que esperava e que (penso que) merecia. A última vez que estive com ele foi em Março de 2013, aquando do funeral de Mário Murteira, onde fez uma intervenção marcada pela emoção, lembrando o seu amigo de tanto tempo – e que também faleceu no ano em que completaria 80 de vida, tal como, aliás, José Manuel Prostes da Fonseca, nosso colega no Conselho Directivo. E a última vez em que comunicámos foi em Março de 2015, por correio electrónico, em que esclareci o então Provedor dos Leitores do Público – o último cargo que desempenhou numa longa carreira repartida entre a universidade, a imprensa, a rádio e a televisão – sobre a causa e contexto de uma queixa de uma leitora daquele jornal relativa ao meu artigo «Apocalise abruto» (tratava-se, na verdade, de uma representante de uma das empresas «apanhadas» a usarem palavras inventadas na sequência da aplicação do AO90). Agora tranquiliza-me saber que as últimas palavras que me dirigiu foram de plena cordialidade e simpatia – e que, claro, foram correspondidas: «Desculpa a falta de formalismo como me dirijo a ti. Mas creio que seria hipócrita tratar-te sem reconhecer pessoalmente um interlocutor compassado de boas e amigas relações. Já calculava que irias aparecer, pois reconheço a tua militância convicta e activa contra o AO. Aliás, quando eu estava na RTP, falámos sobre este assunto.» 
Sobre José Manuel Paquete de Oliveira é de ler também o que escreveram Adelino Gomes, José Rebelo (este também meu professor no ISCTE e membro da equipa de Sociologia da Comunicação) e a Direcção Editorial do Público.

segunda-feira, outubro 10, 2016

Obras: «Luís António Verney…»

Na passada sexta-feira, 7 de Outubro, e tal como anteriormente anunciara, decorreu, na Biblioteca Nacional de Portugal, o colóquio (proposto e co-organizado por mim) «Nos 350 anos da morte de D. Francisco Manuel de Melo» - do qual já começaram a ser divulgadas imagens (e ao qual faltaram, da lista de oradores previstos, José Carlos Seabra Pereira e Manuel Ferreira Patrício). Expresso, como em prévias e semelhantes ocasiões, o meu obrigado a todos os que participaram, tanto na mesa como na assistência do auditório da BNP, neste evento, que encerrou com a «estreia», o lançamento daquele que é igualmente o meu novo livro…
… Intitulado «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», editado pelo Movimento Internacional Lusófono (em parceria com a DG Edições, a mesma de «Q - Poemas de uma Quimera») e que reúne os textos das comunicações apresentadas, não só no congresso com a mesma designação, realizado, igualmente na BNP, a 16, 17 e 18 de Setembro de 2013 (ano em que se celebraram os 300 do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar»), mas também as no colóquio «No Tricentenário de Luís António Verney», realizado na Universidade de Évora a 20 e 21 de Março de 2014. Após um demorado e cuidado processo de preparação e de revisão, eis a obra, com 36 autores, incluindo os coordenadores (co-organizadores) António Braz Teixeira, Renato Epifânio… e eu próprio, e ainda Ana Maria Moog, António Cândido Franco, Armando Martins, Augusto dos Santos Fitas, Francisco António Vaz, Duarte Ivo Cruz, Helena Nadal Sánchez, Jesué Pinharanda Gomes, Joaquim Domingues, João Príncipe, Jorge Teixeira da Cunha, José Eduardo Franco, José Gama, Luís Lóia, Luís Manuel Bernardo, Manuel Cândido Pimentel, Manuel Curado, Manuel Ferreira Patrício, Margarida Amoedo, Maria de Fátima Nunes, Maria do Céu Fonseca, Maria Manuela Martins, Mário Vieira de Carvalho, Marta Mendonça, Miguel Corrêa Monteiro, Miguel Real, Paulo Ferreira da Cunha, Pedro Martins, Rodrigo Sobral Cunha, Rui de Figueiredo Marcos, Samuel Dimas…
… e Helena Murteira e Maria Alexandra Gago da Câmara, minhas colegas no projecto Ópera do Tejo/Lisboa Pré-1755, e cujas intervenções reflectiram as investigações que temos vindo a efectuar naquele. Enfim, o certo é que, mais de dez anos depois, o meu romance «Espíritos das Luzes», tão incompreendido - e invectivado – por alguns, continua a dar (bons) frutos. (Também no Ópera do Tejo.