quinta-feira, abril 20, 2017

Outros: Na Locus a FC & F portuguesa

Em mais uma confirmação – como se tal ainda fosse necessário – do «domínio» (em termos de dinamismo de criação própria e de divulgação do trabalho de outros) que exerce na Ficção Científica e Fantasia em Portugal, Luís Filipe Silva marca presença na última (Nº 675, Abril de 2017) edição da revista norte-americana Locus, uma das mais antigas (50 anos de existência), importantes, influentes e premiadas da FC & F mundial. Merecedor de chamada de capa e ocupando as páginas 50 e 51, o artigo «Portuguese SF in the new millenium – A brief overview» («FC portuguesa no novo milénio – Uma breve panorâmica») constitui o mais recente contributo de LFS para a promoção internacional da ficção especulativa nacional, e nele se indicam títulos de obras e nomes de autores do género que de algum modo se destacaram, desde 2000, no nosso país…
… E nesses autores eu estou incluído, indicado, directamente, no texto, como editor (organizador) de «A República Nunca Existiu!», traduzida como «There Was Never a Republic!» (eu teria preferido algo como «The Republic Never Existed!» ;-)), e, indirectamente, na ilustração, com reproduções das imagens das capas de «A República…» e de «Mensageiros das Estrelas» - também estão, entre outras, as de «A Conspiração dos Antepassados» e «A Conspiração dos Abandonados». A Simetria é também referenciada, e como «a primeira associação de FC portuguesa» que promoveu pioneiras convenções anuais. Outros nomes citados: Daniel Tércio, David Soares, Filipe Faria, Inês Botelho, João Aniceto, João Barreiros, Jorge Candeias, José Saramago, Madalena Santos, Miguel Neto, Nuno Neves, Sandra Carvalho, Telmo Marçal… e, claro, o próprio Luís Filipe Silva. (Também no Simetria.   

domingo, abril 16, 2017

Oráculo: «Nautas» em Maio

O meu novo livro «Nautas – O início da Sociedade da Informação em Portugal» será publicado no próximo mês de Maio. Não por acaso: é quando se celebra o 20º aniversário da edição do «Livro Verde para a Sociedade da Informação», trabalho liderado por José Mariano Gago enquanto ministro da Ciência e Tecnologia, que constituiu o programa para a «revolução digital do nosso país»… e, a um nível mais pessoal, representou o impulso decisivo para eu me tornar um jornalista especializado em novas tecnologias da informação e da comunicação – e, nessa qualidade, ter ganho quatro prémios de jornalismo.
Como afirmo na introdução, «Nautas»,  livro que reúne «os melhores e/ou os mais importantes textos sobre este assunto que escrevi durante quase dez anos», é «uma obra que procura identificar as principais questões, dúvidas, soluções e polémicas que a modernização tecnológica do país levantava nesse período fulcral, de transição de século e de milénio. Porém, mais do que as características e as capacidades das máquinas (seja hardware ou software), o que sempre me interessou mais são as ideias e as iniciativas das pessoas. (…) Quer (…) assumir-se como uma referência relevante, como um contributo, necessariamente modesto, para o registo, análise e compreensão de um processo indispensável e indissociavelmente ligado ao desenvolvimento – técnico, económico, social, cultural» de Portugal.
A publicação é do Movimento Internacional Lusófono com a DG Edições – uma parceria também responsável pelos meus dois anteriores livros publicados, «Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo» (este um trabalho colectivo sobre o grande pensador português e o século XVIII em que viveu, que eu concebi, co-organizei e em que participei) e «Q – Poemas de uma Quimera». A data e o local da primeira apresentação de «Nautas» serão por mim divulgadas aqui (e não só) oportunamente. (Também no MILhafre.)

sexta-feira, abril 14, 2017

Ocorrência: «Segundo Ultimatum...» é hoje!

Hoje, 14 de Abril de 2017, é a data em que, em 2012, situei a «acção» do meu conto «Segundo Ultimatum Futurista», com que participei na antologia colectiva «Mensageiros das Estrelas», também concebida e co-organizada por mim, e apresentada na edição do colóquio internacional com a mesma designação, realizada naquele ano. Consistindo numa variação do famoso texto «Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX», escrito por José de Almada Negreiros e por este lido a 14 de Abril de 1917 – sim, passa hoje um século! – no Teatro S. Luiz, em Lisboa, a minha narrativa representou igualmente, para além de uma (entre muitas) óbvia e mais do que merecida homenagem ao extraordinário, multifacetado, talentoso artista, também um exercício de uma espécie de «ficção científica de curto prazo», em que imaginei um Portugal diferente a apenas cinco anos de distância…
… E que se tornar(i)a numa assustadora distopia. Recupero e recordo um excerto: «Não foram só outros cidadãos europeus, pacíficos, em viagens de trabalho ou de turismo, que passaram a entrar sem qualquer burocracia, controlo e dificuldade no nosso território: também muitos criminosos, entre eles os mais audaciosos e violentos, invadiram o nosso espaço. E, a pouco e pouco, quase sem darmos por isso, as nossas cidades, vilas e aldeias, empresas, lojas e residências, foram ficando sob a ameaça ou até caindo no domínio de perigosos bandidos internacionais. Beneficiando da existência e da ineficiência de corporações policiais desmotivadas e subequipadas e de tribunais complacentes e lenientes, hordas motorizadas e blindadas vieram semear o terror por todo o país, do Algarve ao Minho, tentando roubar, sob a mira de pistolas, espingardas e metralhadoras, as cada vez menores riquezas de uma população continuamente assustada e cercada. Que, para se defender, organizou as suas próprias milícias, cuja principal preocupação é a protecção dos autocarros de transporte de crianças e de jovens estudantes, tesouros raros e alvos preferenciais dos facínoras, que se os capturarem podem pedir elevados resgates. Longe vão os bons velhos tempos em que eles se limitavam a assaltar caixas Multibanco e ourivesarias… A generalizada e permanente insegurança fez com que Portugal como que reentrasse numa nova Idade Média. Não porque se tenha verificado um retrocesso científico e tecnológico, muito pelo contrário, apesar dos constantes cortes nos abastecimentos de água, alimentos, electricidade e outros combustíveis, equipamentos e outros produtos; mas sim porque a ocupação do território se assemelha crescentemente ao da época feudal, com burgos fortificados que se constituem como autênticos oásis em extensas terras-de-ninguém… E a maior dessas terras-de-ninguém continua a ser o belo, injustiçado, maravilhoso Alentejo. Que ainda não retirou várias e visíveis vantagens do facto de o aeroporto de Beja, antes uma anedota… alentejana por causa da sua sub-utilização, ter sido transformado no astro-porto, ou cosmódromo, de Beja graças a Richard Branson e à sua Virgin Galactic, atraindo assim muitos milionários para viagens de turismo espacial. Milionários esses que têm também dinheiro suficiente para pagar a sua segurança, e as suas estadias nos hotéis e apartamentos de luxo das ilhas artificiais e a hélice do Lago Alqueva. Entretanto, e tendo também como pretexto o aumento da violência, em Portugal já não são só os arguidos, suspeitos, detidos, culpados, que têm de usar pulseiras electrónicas: todos os cidadãos a partir dos 18 anos, portadores de número de identificação fiscal, têm de o fazer! É um substituto do CU, do dito “cartão único”, o “cartão de cidadão”, que aliás já tinha um chip incorporado. ”É para o nosso bem, para a nossa segurança”, dizem os nossos governantes, “para estarmos permanentemente localizáveis e contactáveis”. E constituiu uma consequência lógica, o passo seguinte inevitável num processo de muitos anos de maior “transparência” dos cidadãos perante o Estado… mas não o inverso: afinal, se aquele tem um acesso permanente às nossas contas bancárias e declarações de rendimentos para IRS, IRC e IVA de modo a verificar se há ou não fuga ao fisco, e como forma de obtermos descontos em serviços públicos na educação, na saúde e nos transportes, no caso de aqueles rendimentos serem baixos, por que motivo não se transitaria para uma situação de monitorização e vigilância permanentes?»
Reconheço que, afinal (e felizmente!), estas previsões, embora feitas em contexto de criação literária, não se concretizaram… ainda. O meu texto pretendeu (e creio que conseguiu) ser chocante, controverso, polémico, provocatório; porém, só assim chegaria perto de honrar o antecessor criado por Almada Negreiros, que há cem anos «aterrorizou» muitas (in)consciências. Previsivelmente, a efeméride foi pretexto para um programa comemorativo, que, logicamente, tem hoje o seu momento culminante. O pintor e escritor, ilustre elemento do grupo Orpheu, continua(rá) sendo uma referência de cidadania, coragem, imaginação, iniciativa. Nunca deixará de ter interesse, nunca deixará de estar presente. E a exposição que a Fundação Calouste Gulbenkian lhe dedicou, com o título «Uma maneira de ser moderno», inaugurada a 3 de Fevereiro último e aberta até 5 de Junho próximo, é mais uma demonstração disso mesmo. (Também no MILhafre e no Simetria.)