segunda-feira, setembro 18, 2017

Observação: Censura com «lápis cor-de-rosa»

Já referi, e por mais de uma vez, que ao longo dos anos tenho sido alvo de várias acções – tentadas e concretizadas – de censura e de discriminação. A penúltima, e provavelmente a mais grave, foi a cometida no jornal Público (por Nuno Ribeiro e confirmada por David Dinis). Porém, a última é talvez ainda mais surpreendente: aconteceu no blog Delito de Opinião, que, recordo, no passado dia 19 de Julho, publicou um texto da minha autoria no âmbito da sua rubrica «Convidados». No entanto, aparente e infelizmente, nem todos os seus autores percebe(ra)m que o nome tem um sentido irónico. Uma, em concreto, considera que podem mesmo ser cometidos delitos de opinião: Inês Pedrosa…
… Que, a 4 de Setembro último publicou o texto «Memória de Eduardo Prado Coelho», a propósito e a pretexto do décimo aniversário da morte daquele professor e escritor, assinalado a 25 de Agosto. Então, e como regularmente acontece (no DdO e não só), decidi escrever e colocar um comentário. Este: «Eduardo Prado Coelho, apesar das suas inegáveis capacidades e qualidades, não deixava também de ter os seus momentos duvidosos e mesmo bizarros. Recordo dois... O primeiro foi a sua participação na polémica sobre o local da construção do Museu do Neo-Realismo. Em Outubro de 2000 publicou um artigo no Público em que advogava que aquele deveria situar-se em Vila Franca de Xira; porém, ao mesmo tempo, desconsiderava Alhandra, a outra opção. Em resposta escrevi-lhe uma mensagem, igualmente publicada naquele jornal, em que o criticava por, basicamente, falar do que não sabia e estar a tomar partido a pedido; por sua vez, ele respondeu-me... sem rebater os meus argumentos (e factos). O segundo foi uma sua “queixa”, expressa num artigo no Público em Dezembro de 1999, que tinha tanto de hilariante como, sabe-se agora, de inquietante... pois como que antecipou uma infeliz e ridícula tendência do “politicamente (e socialmente, e culturalmente) correcto”. Resumi o caso num texto que escrevi e que publiquei no Simetria
O meu comentário não foi publicado, e o motivo para tal seria indicado num comentário da própria Inês Pedrosa (não necessariamente apenas dirigido a mim): «Informo que não publicarei qualquer comentário referente a polémicas com Eduardo Prado Coelho, que infelizmente não está cá para se defender. Entendo que as polémicas se travam entre pessoas vivas, e repugna-me a perseguição a mortos.» Francamente, isto é ridículo: então agora não se pode escrever e divulgar textos desagradáveis, desfavoráveis, a pessoas que já morreram porque elas «não estão cá para se defenderem» e é «repugnante a perseguição a mortos»?! Onde é que iríamos parar se isto fosse norma... Se alguém já não está cá para se «defender», existirão outros com capacidade e com vontade de o fazer em seu nome. Inês Pedrosa poderia ter feito isso neste caso, publicando o meu comentário, e em seguida, caso assim quisesse, contrapor-lhe a sua (dela) perspectiva. Optou por não o fazer, sem dúvida porque sabe que aquilo que eu disse... é verdade, e que iria «manchar» o seu texto laudatório. E é precisamente a verdade o valor que mais conta aqui. Não se alguém está vivo ou morto, ferido (física ou mentalmente) ou de boa saúde, na «mó de cima» ou na «mó de baixo». Para mim não há «vacas sagradas», estejam «elas» entre os vivos ou não. Ninguém é merecedor de adoração incondicional, esteja neste Mundo ou em outros.
E defende ela a «honestidade intelectual»! Inês Pedrosa comportou-se como uma censora que quer reescrever, ou controlar, a História - pelo menos em prol dos que admira. Usará um «lápiz azul» ou um «lápis cor-de-rosa»? Ou nenhum dos dois, porque isso constituiria uma inaceitável «discriminação de género»?

terça-feira, setembro 12, 2017

Orientação: Sobre protocolo, n’O Diabo

Na edição de hoje (Nº 2124) do jornal O Diabo, e na página 23, está o meu artigo «Mais protagonismo, menos protocolo». Um excerto: «Entre os proponentes e os primeiros subscritores da petição estão várias individualidades por quem tenho respeito e até admiração, e não duvido das suas boas intenções ao avançarem com esta iniciativa. No entanto, receio que assim estejam a “assinar” - inconscientemente, involuntariamente – a “rendição” definitiva do movimento monárquico nacional perante a repugnante, ridícula, ruinosa e arruinada, república: que assim estejam a confirmar o (seu) conformismo com a situação, com o “sistema”; a concordar com “se não consegues vencê-los, junta-te a eles”; a (quererem) entrar numa “festa” para o qual não se foi convidado… e ainda bem, porque aquela é frequentada por gente de carácter duvidoso, dada a comportamentos perigosos, se não mesmo criminosos.» (Também no MILhafre.)